Verdade e ilusão | Gazeta Digital

Domingo, 29 de maio de 2016, 00h00

Gonçalo Antunes de Barros Neto

Verdade e ilusão

Gonçalo Antunes de Barros Neto


Sim, tenho por verdadeiro, é isso que significa, me basta, diria um grande número de crédulos. Outros, também em considerável proporção, pensa diferente, que aquilo que ouviram, viram, foi a causa verdadeira. E um grupo, mais afastado do acontecimento, afirma que a verdade é outra, caminhando nessa lógica. E a verdade verdadeira, onde está?
Seguindo os ensinamentos de Marilena Chaui, ao estudar a razão, Kant distingue entre realidade em si e realidade conhecida por nós. O grande filósofo usa duas palavras gregas para fazer essa distinção: ’noumenon’, que significa a realidade em si, racional em si; e ’phainomenon’ (fenômeno), significando a realidade tal como se mostra ou se manifesta para nossa razão ou para nossa consciência.
Para Kant, só podemos conhecer o fenômeno e não alcançamos o ’noumenon’ (a coisa em si). Conhecemos o que se apresenta para a nossa consciência, e somente a partir da estrutura ’a priori’ da própria consciência. Explico.
A realidade que conhecemos não é a realidade em si das coisas, mas aquela estruturada pela nossa razão, organizada por ela, ‘fabricada’ pelas estruturas ‘a priori’do sujeito que conhece.
Husserl, a partir dessa ideia, cria a corrente filosófica chamada fenomenologia, e começa, perguntando, o que é o fenômeno?O que se manifesta para a consciência. O que é que se manifesta para a consciência? A própria consciência (Chaui). O fenômeno é o resultado da reflexão como expressão da consciência de quem reflete (consciência reflexiva ‘a priori’).
E volta-se à pergunta inicial, com quem está a verdade? Com o primeiro, segundo ou terceiro grupo? E, para reforçar, todos tinham a sua verdade.
Imaginemos um réu em julgamento por um tribunal popular, composto por tantas ’consciência reflexiva’ quantos ali se compõe em juízo, somados à consciência e lembrança (tempo e espaço) das testemunhas. Do resultado está a sorte do infeliz, presa do apetite da lei, ou, melhor para o caso, da expressão, como resultado, do jugo de cada qual.
As coisas acabam funcionando empiricamente, vale pelo que há, e o que há pode ser bem distante da verdade em si, do ‘noumenon’ kantiano.
No dia a dia, as pessoas em agitação, os comentários, os juízos, críticas (e há aqueles que até adjetivam como construtivas) de todos e em face de todos, o que há? Talvez uma soma, de tudo de bom e de tudo de mal, até de maus, que em pensamento reflete a própria régua de medir ‘verdades’.
Isso me faz lembrar aquele antigo hino de Vandré, ‘Pra não dizer que não falei das flores’ - caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos soldados armados ou não...É por aí...


Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve aos domingos em A Gazeta (email: antunesdebarros@hotmail.com).
 



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