Segurança, dever de todos | Gazeta Digital

Domingo, 19 de junho de 2016, 00h00

Gonçalo Antunes de Barros Neto

Segurança, dever de todos

Gonçalo Antunes de Barros Neto


Observando os últimos acontecimentos em nossa capital, lembrei-me de Nelson Rodrigues - ‘Eu não insinuarei nenhuma novidade se disser que, muitas vezes, são as pequenas causas que fazem as grandes tragédias. É preciso tomar cuidado com o irrelevante, o secundário, o intranscedente, o sem importância’-.
A greve, efetiva ou ’branca’, de setores da segurança pública põe em pânico a população da grande Cuiabá, com comentários até histéricos-delirantes nas redes sociais, e, de secundário, pode transcender.
Especificamente, criamos nossos super-heróis, demos a eles as armas e as tiramos dos demais cidadãos, e, como se refém fôssemos, choramos as lágrimas da impotência, do desespero, da teimosia em acreditar que segurança pública é dever somente do Estado. É mais fácil jogar nas costas de alguém a função de filtrar o esgoto da sociedade.
Estamos desarmados e indefesos, e a cada dia mais a criminalidade descobre isso. Não demorará e o pé na porta vai se tornar realidade, se já não o é. Ou alguém duvida que o que impede é a possibilidade de reação do morador?
O ideal seria não criarmos os super-heróis, mas parceiros de uma segurança pública em que o cidadão é parte efetiva, e não vítimas à espera de proteção.
Chega-se ao absurdo de nos mandar ter cautela, que fiquemos em casa, trancados, enquanto a bandidagem toma conta da rua e decida sobre a paz e conveniência de nossos afazeres. Alguém está lucrando com isso e não é o cidadão desarmado.
Lembremo-nos do passado em que qualquer situação de risco era tratada, emergencialmente, pelos vizinhos até a chegada da força de segurança. Todos preparados e prontos na defesa da cidadania e dos seus. Afinal, no que nos tornamos?
Essa questão do politicamente correto tem freado as ações nesse setor estratégico que é a segurança de todos, e que não pode estar somente a cargo daqueles que se toma por heróis. Herói também é o cidadão que mora no Jardim Vitória ou Pedra 90 e conta com um pedaço de pau para se defender, enquanto seu algoz porta fuzil.
Falar de contenção e ação, uniformizado e de colete, com uma arma no coldre, enquanto a plateia se arrebenta como pode para se defender, parece ser uma constante no país, de hoje. É até engraçado a cena. O cidadão quer reconhecer no seu herói, e realmente o nosso policial o é, um aliado na mesma trincheira.
Não sou político (política partidária), escolhi outro caminho. Mas se o fosse, faria chegar à presidência da República uma pequena nota de pesar: o nosso ministro da Defesa, deputado Raul Jungmann, foi a favor do desarmamento do cidadão.
Novamente Nelson: ‘Tenho medo das pessoas que vivem de certezas’. E continua o Reacionário: ‘É a velha figura do Narciso às avessas, que cospe na própria imagem’. Também, de Vandré: ’Somos todos soldados, armados ou não’. É por aí...

Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve aos domingos em A Gazeta (e-mail: antunesdebarros@hotmail.com).
 

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