Terça, 09 de agosto de 2016, 00h00

Somos tupiniquins


Se o homem é o lobo do homem, segundo Thomas Hobbes (Leviatã), o brasileiro é o lobo do brasileiro. Sim, acreditamos piamente em nossa análise, ainda que assombrosa.
Não é interessante? O analista se faz de objeto de investigação para entender a si próprio. Que maravilha... E não tem nada de contraditório nisso, mesmo porque não existe contradição de contradição, já que sujeito e objeto, aqui analisados, têm a mesma face, que coincidem na singular moeda.
Aos que discordam, observem melhor as entrevistas e palestras de notáveis brasileiros em eventos no exterior. Sempre se referem ao Brasil como uma espécie de paciente em estado terminal, ocupando algum leito do pior hospital e no mais nebuloso destino. Carregam nas palavras, fazem até biquinho a demonstrar sapiência no francês. No inglês, as gírias americanas os entusiasmam.
 Começam algo mais ou menos assim: O Brasil é lindo! País tropical, praias e clima maravilhosos. Povo bondoso e religioso. Mas vai muito mal, cada vez pior, é um desastre em desenvolvimento econômico e humano, na política é um Deus nos acuda. Nada funciona - hospitais, postos de saúde, serviço público, a polícia, tudo do mais atrasado que se possa imaginar-.
E continuam: As estrelas brilham apaixonadamente em seu céu, mas lá embaixo é uma catástrofe total. E vai mais biquinho, e mais ’je suis désolé’ para o delírio da plateia de ambiente austero, e com cheiro de Channel a dominar-lhe o olfato. Falam sempre na 3ª pessoa. Natural, os analistas da pátria precisam ser equidistantes.
Tido por reacionário, Nelson Rodrigues sintetizou - ‘O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Não sei se repararam. Cada um de nós é um Narciso às avessas e, repito, um Narciso que cospe na própria imagem. Aqui mesmo, nesta coluna, perguntei umas vinte vezes - será que nos faltam motivos pessoais e históricos para a autoestima?’.
O cuspir na própria imagem parece ser uma característica nossa. Temos um Machado de Assis, Fernando Sabino, Drummond e gostamos de afirmar entrosamento com Shakespeare, Proust, Dostoiévski. Assim caminhamos, de mãos dadas com a roda viva, com os nossos inconfessáveis pecados.
Voltemos aos ‘patriotas’ no exterior. Lá inferiorizados, cá lhes enchemos a bola. Até autógrafos solicitamos. São recebidos em palácios e sempre requisitados. Cobaias que somos nas mãos da canalha. Tomam-nos como bode expiatório em seus estrelatos e, ainda assim, lhes honramos com caros tapetes.
Afinal, somos idiotas? A paciência está se esgotando. As ruas não nos assustam mais. Somente aos que ganham com a tolerância dos néscios é que ficam assombrados. E como ficam...
É por aí...

Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve em A Gazeta (email: antunesdebarros@hotmail.com).



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