Domingo, 21 de agosto de 2016, 00h00

Liberdade? Que é isso?


A vida está se tornando um princípio, uma mágica, um conceito primeiro, e dele se retiram o sustentáculo e fundamento para novas conquistas e descobertas.Não se cuida do princípio primeiro (de base metafísica) ou mesmo do Deus cristão, mas de algo lógico, simétrico e cartesiano, plasmado na noção de liberdade de escolha. Algo apropriado por todos, especialmente de alguns anos para cá.
Jamais se exigiu tanto quanto nessa essência, do ser em sua busca constante, do confronto consigo mesmo ou do espaço para exercitá-la. E as asas se abrem num folguedo próprio de quem se trai, por ela. É a tal necessidade.
As regras são dissimuladas, a verdade é a vontade de cada qual, o ambiente é virtual, e o Pokemon Go, a escolha. A ideia de razão prática é contraditória em termos (Hume). Mas quem nos guia na ação? Quem é o continente entre razão e liberdade?
Escreve Chaim Perelman - ‘Pessoalmente, creio que há um papel da razão prática, mas é puramente negativo: permite-nos descartar soluções desarrazoadas. Mas nada nos garante, em questão prática, a existência de uma única solução razoável. Nesse caso, se não há, em questão prática, solução única, como a que nos fornece a resposta verdadeira em questão teórica, a escolha da solução depende, não mais da razão, mas da vontade’ (Ética e direito).
O que se tem nesse imbróglio entre escolher racionalmente (na razão prática a indicar as consequências) e escolher sem peia, com total liberdade, é a nudez da necessidade.
A necessidade ganha um papel de destaque no mundo contemporâneo. Claro que aqui não se está a discutir a necessidade econômica, de sobrevivência física. Mas, sim, na necessidade como vetor, que faz ‘tábula rasa’(folha de papel em branco) da vontade.
Pode-se não querer jogar Pokemon Go, não participar de grupos virtuais (Face, Whatts etc.), mas a necessidade se agiganta por sobre a realidade, no que não se materializa, e existe, e o virtual se encarrega do processo como se fenômeno físico fosse.
A ideia de rebanho, de ser aceito, de ter grupo, de poder participar, ainda comanda o cérebro e a alma de todos. E você, acredita na liberdade?
Portanto, razão, vontade, escolha, liberdade, modernamente são ‘conceitos’ à disposição da necessidade, real e não virtual, que a tudo transforma, até a realidade. E esse princípio de tudo, independente de quem nos deu ou de quem nos enganou, está mais para algo que se transforma, muda constantemente, do que um achado, com forma e bem delineado conceitualmente.
Afinal, os bonequinhos a serem capturados estão ou não a nos rondar? Consegues, com total liberdade, sair dos vários grupos virtuais dos quais participas? Não? Então, tens necessidades. É por aí...

Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve aos domingos em A Gazeta (email: antunesdebarros@hotmail.com).



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Domingo, 15 de janeiro de 2017

00:00 - Nem tudo se compra

Domingo, 08 de janeiro de 2017

00:00 - Eu, tu, somos eles

Domingo, 25 de dezembro de 2016

00:00 - Amizade eterna

Domingo, 11 de dezembro de 2016

00:00 - Decisão judicial

Domingo, 04 de dezembro de 2016

00:00 - Sabido ou sábio?

Domingo, 27 de novembro de 2016

00:00 - Estado e Constituição

Domingo, 20 de novembro de 2016

00:00 - Partidos políticos

Domingo, 23 de outubro de 2016

00:00 - Liberdade sem dor? Onde?

Domingo, 16 de outubro de 2016

00:00 - Ego que transcende

Domingo, 02 de outubro de 2016

00:00 - Sina de um líder


 veja mais
Cuiabá, Sexta, 20/01/2017
 

WhatsApp


Fogo Cruzado waze

titulo_jornal Sexta, 20/01/2017
4fa6f0aa8dc554a3a883d344d91b9b74 anteriores




Rádios ao vivo
  • cbn
  • cbn
Indicadores Financeiros
Dólar Comercial 3,2193 +0,25%
Ouro - BM&F (à vista) 125,00 +0,81%
+ veja mais
Mercado Agropecuário
Boi Gordo @ 131,00
Soja - saca 60 kg 66,50
+ veja mais
Mais Lidas Enquete

Uma lei municipal de 2016 determina que todos os assentos do transporte coletivo de Cuiabá são preferenciais para idosos, gestantes e deficientes. Você concorda com isso?



Logo_classifacil