Ego que transcende | Gazeta Digital

Domingo, 16 de outubro de 2016, 00h00

Opinião

Ego que transcende

Gonçalo Antunes de Barros Neto


Sondando cada jeito de ser, cada comportamento que nos atravessa os olhos, percebe-se que a natureza humana, ou mais modernamente a condição humana, está mais para a forma ideal platônica, do homem em si, imutável, que aquela proposta por Heráclito de que tudo está num estado de fluxo, mudança, e a guerra e a luta dos opostos é a condição eterna do universo.
Parmênides parece sair vitorioso ao pregar a realidade única, indivisível e homogênea. A condição humana não se sujeita às mudanças quando se revela em essência, e assim o é quanto ao pensamento. Afinal, qual a diferença entre existir no mundo e existir na mente?
Uma determinada mentira pode existir na mente, mas é realidade no mundo? O mentiroso sabe que mente e aquilo que mente só se revela a ele, nada mais, que tem o seu domínio e está fora da realidade. É como mentir conhecer algo, havendo contradição na própria hipótese, pois, há incompatibilidade entre mentir e conhecer - quem conhece, sabe.
O que chama a atenção neste mundo são a imutabilidade da condição humana e seus conceitos ideais negativos (Platão e a noção de conceitos ideais abstratos), como inveja, injustiça, maldade e especialmente a mentira. A mentira nos ronda e assemelha à falsidade, mas sempre será ilusão, sendo notória a existência de falsos professores, falsos intelectuais, falsos escritores, falsos líderes - ‘enrolam’ e ‘obscurecem’ a realidade em que se inserem,precisamente na mente de quem assim os tem-.
Às vezes cuida-se de pessoa dedicada, disciplinada e trabalhadora, mas sem o ’toque’ da genialidade,própria dos grandes. Somente estes podem ostentar filodoxia. Precisamos mudar o padrão de julgamento.
E esse ser que pensa que sabe, reflete o conjunto que se apresenta como essência, um todo falsamente construído e que se revela na alteridade; por isso que, ao defrontar-se com a genialidade (pensamento e ideal), tenta não ser reconhecido, projetando a consciência em desilusões e tristezas. Aqui precisa ser tratado, humanamente tratado.
Vale a lição de Hannah Arendt (A Vida do Espírito), ‘... Podemos concluir que nossos padrões comuns de julgamento, tão firmemente enraizados em pressupostos e preconceitos metafísicos - segundo os quais o essencial encontra-se sob a superfície e a superfície é o superficial -, estão errados; e a nossa convicção corrente de que o que está dentro de nós, nossa vida interior, é mais relevante para o que nós somos do que o que aparece exteriormente não passa de uma ilusão; mas quando tentamos consertar essas falácias, verificamos que nossa linguagem, ou menos nossa terminologia, é falha’.
Precisam, sim, ser tratados; eles que de sua falsidade acadêmica e questionável erudição existem como gênios de si próprios. Impossível transformar a realidade.
De Santo Agostinho: ‘As emoções são gloriosas quando permanecem nas profundezas, mas não quando vêm à luz e pretendem tornar-se essência e governar’. É por aí...

Gonçalo Antunes de Barros Neto (E-mail: antunesdebarros@hotmail.com).

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