Partidos políticos | Gazeta Digital

Domingo, 20 de novembro de 2016, 00h00

Gonçalo Antunes de Barros Neto

Partidos políticos

Gonçalo Antunes de Barros Neto


Grande parte do povo brasileiro ficou apreensiva com a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. O que seria natural, não fosse a necessária reflexão que se deve fazer ao comparar a democracia americana com a nossa.
Lá, diferentemente daqui, há dois partidos fortíssimos que vêm se revezando no poder, com plataformas políticas exequíveis, considerando a singular democracia em que assentam.
O projeto político americano passa pelos partidos e não sucumbem frente a qualquer populismo. Por isso, eles podem se submeter ao sintomático e inusitado teste com a eleição de Trump. As regras são postas e obedecidas.
No Brasil pós-regime militar, os partidos ficaram fracos, as lideranças comandam sem o apoio da base (salvo raras exceções), o personalismo tomou conta. Elegeu-se a quantidade em detrimento da qualidade. A reforma política é urgente.
Os jovens estão nas ruas, protestando por isso ou aquilo. E qual partido está à frente, qual a pauta? Não se sabe muito bem. E as ruas lotam-se cada vez mais; até o plenário da Câmara Federal foi invadido e, aos gritos, os manifestantes citam o juiz Moro que, como magistrado, nem partidário pode ser.
O que pode individualizar um partido e inseri-lo no processo de formação democrática da política de um determinado Estado? Em outras palavras, o que o faz ’partido político’ numa democracia? A combinação de suas qualidades, a sua forma final. O partido político é a combinação perfeita de seu estatuto, seus partidários, direção, projeto de poder, vocação para o debate e enfrentamento de ideias, ética acima de tudo.
Agora, caro leitor e leitora, tente indicar a si próprio os partidos políticos de cada parlamentar que representa Mato Grosso no Congresso Nacional. Foi difícil ? Sim, na média dos eleitores nem se sabe ao certo quantos são autorizados pela Justiça Eleitoral.
Voltemos aos jovens. Quem está a lidera-los ? Onde estão os partidos, seus líderes, nessa onda que se agiganta? O perigo que se avizinha é a assunção do salvador da pátria, aquela figura carismática, determinada, que sabe manipular a massa.
A democracia não prescinde dos partidos. A luta, qualquer que seja, para emancipar-se da gritaria e algazarra, precisa revestir-se de direção partidária, de tez ideológica bem definida.
Por outro norte, se estar-se a duvidar de Trump e sua vocação democrática, não se apraz duvidar do sistema político e partidário em que está inserido. O Senado americano e o jogo político por lá não aceitam personalismo de quem quer que seja. As instituições são mais fortes que os discursos demagógicos.
Agora, por aqui, sem se perder na síndrome do vira lata, precisa-se de uma reforma política e partidária que nos encha de orgulho, transformando os partidos políticos em arena própria para os grandes debates nacionais e refúgio da natural inquietude dos jovens. É por aí...

Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve aos domingos em A Gazeta (]E-mail: antunesdebarros@hotmail.com).
 

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