Domingo, 25 de dezembro de 2016, 00h00

Gonçalo Antunes de Barros Neto

Amizade eterna

Gonçalo Antunes de Barros Neto


Desde Cícero, portanto, anos antes de Cristo, a preocupação sobre a amizade invade a paz dos pensadores, vindo o grande tribuno romano a escrever uma monumental obra sobre o assunto - ’Diálogo Sobre a Amizade’-.
O que mais interessa nisso é saber se a amizade tem como origem a necessidade ou a natureza.
Se tomássemos o caminho da necessidade, diríamos que a vontade, que se insere no processo de cogitação e posterior apreensão de algo por interesse imediato, seria seu móvel mais acentuado.
Por outro norte, se a natureza do ser que sente e sensibiliza dele fizer destino a amizade, dados seus atributos e conformações de interações, sua força residirá na própria existência - se existe, porque pensa (Descartes); porque é, se relaciona e estabelece amizade-.
Mas pensemos, é fácil se tornar amigo de alguém, em especial de pessoa fora do ordinário (extraordinária)? Por natureza, haverá repulsa se entre ambos não houver nada em comum, algo que funcione como uma ponte, um ponto de intersecção.
É interessante a abordagem de Sócrates nessa questão: ’Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos’.
Nota-se, qualidades e não habilidades. Por isso que certas amizades acabam como começaram..., imbuídas por interesses dos mais diversos, com o tempo, tornaram-se desinteressantes. Faltou habilidade? Não, qualidade.
Diz uma linda lenda que dois amigos viajavam pelo deserto e, em um determinado ponto da viagem, discutiram.
O outro, ofendido, sem nada a dizer, escreveu na areia:hoje, meu melhor amigo me bateu no rosto.
Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo.
Ao recuperar-se, pegou um estilete e escreveu numa pedra: hoje, meu melhor amigo salvou-me a vida.
Intrigado, o amigo perguntou:’Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreveu na pedra?’.
Sorrindo, o outro amigo respondeu:’Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar; porém, quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra, onde vento nenhum do mundo poderá apagar’.
Portanto, neste dia em que se comemora o nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, que se tenha sempre em mente que ’... o verdadeiro amigo vê o outro como a uma imagem de si mesmo...’ (Cícero).
É por aí...



Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve aos domingos em A Gazeta
 (email: antunesdebarros@hotmail.com).
 



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