Terça, 19 de julho de 2016, 00h00

Renato de Paiva Pereira

Transformações das palavras

Renato de Paiva Pereira


A linguagem reinventa-se constantemente. Algumas palavras caem em desuso e somem da fala diária, ficando restrita aos dicionários. Outras mudam de significado e muitas deixam o sentido amplo para expressar algo mais restrito. Há ainda as que impressionam pela origem inusitada.
Para alguns termos existem explicações de origem. Por exemplo, é comum nos estados do sul e sudeste do Brasil chamar o vaso sanitário de ‘Patente‘. A razão é interessante: os primeiros modelos desse objeto traziam impressa essa palavra, indicando que o objeto era patenteado, portanto, não poderia ser copiado. Pelo menos é o que nos conta Márcio Bueno no livro Origem curiosa das palavras.
Outra palavra interessante é ‘padrão’, designação comum do conjunto que contém o medidor de energia elétrica instalado nas casas. Donde surgiu isto? Começou quando as concessionárias de eletricidade exigiam a instalação de um conjunto padronizado (poste, medidor e cabos) para ter a energia ligada. Daí passaram a chamar de padrão esse conjunto exigido.
Agora algo escatológico. Evacuar significa sair, deixar livre, esvaziar. Mas ficou popularmente significando defecar. Interessante que se esvazia tanto o intestino quanto a bexiga, mas usa-se o termo só para o primeiro caso.
Com frequência palavras mudam de significado. Três exemplos: ‘famigerado’ é famoso, célebre; antes usado com conotação elogiosa, hoje carrega forte carga negativa. ‘Bizarro’, ontem, nobre e generoso, qualifica atualmente alguém esquisito ou fanfarrão. ‘Formidável’ que já foi terrível e temido, virou bacana, excelente etc. Também é Interessante verificar que alguns nomes de marcas passam a nomear os produto que as carregam: Q-boa, Maizena, Gillette e Bombril substituem água sanitária, amido de milho, lâmina de barbear e esponja de aço.
A língua é um organismo em constante modificação, palavras ganham novos significados (acessar, deletar, inicializar); outras somem ( defluxo, batuta, sirigaita ) e muitas vão alterando o sentido com o passar do tempo. Por isso o linguajar das pessoas difere no tempo e no espaço.
A internet com sua comunicação resumida de poucas e singelas palavras, tende a diminuir o tamanho do vocabulário de uso diário. O prejuízo pode ser grande, pois a riqueza (quantidade) de termos e a precisão no uso deles, são indispensáveis para a expressão de ideias mais elaboradas.
Os atuais Emojis, que comunicam emoções por figuras e outras ferramentas da rede mundial de computadores têm grande potencial de diminuir, pelo desuso, o estoque de vocábulos disponíveis nos cérebros dos falantes. Quanto mais nomes ( palavras ) conhecemos mais variado e complexo é nosso pensamento.
 A simplificação da escrita e da fala tem o condão de estimular a indesejável tendência reducionista de nossas mentes preguiçosas. Pode ainda limitar nosso mundo, posto que ele é do tamanho do nosso vocabulário.




Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. Renato@hotelgranodara.com.br
 



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