Terça, 20 de setembro de 2016, 00h00

Privilégios das autoridades


Entre as principais causas da corrupção no país estão os privilégios absurdos que os políticos desfrutam, inaceitavelmente autoconcedidos. São tantas mordomias, vantagens financeiras e tratamentos reverenciais, que pessoas de moral mais elástica estão dispostas a fazer o diabo para entrar nesse time.
Conseguindo o mandato ‘tomam o freio nos dentes’ ( dominam a situação) e durante três anos nem ligam para quem os elegeu. Sim, 3 anos, porque no último precisam ser bonzinhos de novo para garantir a reeleição.
Esses homens e mulheres que nestes dias de campanha eleitoral aparecem sorridentes e humildes na porta de nossas casas, na verdade não representam os nossos interesses como dizem, estão quase sempre à busca de um meio de vida ou de uma sinecura.
Se representassem a vontade dos eleitores, por certo não haveria câmaras municipais e estaduais na forma que temos hoje, porque o povo é contra esse modelo. O vereador e o deputado estadual poderiam ser trabalhadores comuns que apenas recebessem uma ajuda de custo para comparecer às reuniões de trabalho
Fossem (os políticos) porta-vozes da população, não andariam em luxuosos carros pretos sentados no banco traseiro com motorista engravatado, privilégio que maioria dos eleitores condena. Também não ocupariam gabinetes luxuosos, não contratariam secretários particulares, não fariam caras viagens desnecessárias para frequentar congressos duvidosos.
O povo, que o político diz representar, ficaria feliz se as autoridades abolissem os formalíssimos pronomes de tratamento, cuja finalidade é colocar um alto degrau entre a plebe e os iluminados. Os excelentíssimos, digníssimos, meritíssimos e magníficos são cultos à personalidade criados para distanciar os ‘nobres’ da massa ignara.
A jornalista brasileira Claudia Wallin, que mora há 12 anos na Suécia, conta no livro ‘Um País Sem Excelências e Mordomias’ que lá vereadores e deputados regionais não recebem salários e não têm gabinetes. São trabalhadores comuns que exercem esse voluntariado em favor do município ou região e recebem somente uma compensação quando tem que faltar ao trabalho para alguma função política.
Lá um deputado federal usa um apartamento funcional de 45 m2, não tem carro ou motorista. Lava sua própria roupa nas lavanderias comunitárias. Ganha (depois dos impostos) mais ou menos 50% a mais que um professor primário. Também não tem assessor ou verba de gabinete.
Desde 1960 o país aboliu os pronomes de tratamento de forma que todos se tratam por você, mesmo no plenário da câmara. Também os políticos não tem poder de aumentar os próprios salários.
Aqui no Brasil as autoridades tratados por excelências, tem inúmeros privilégios, ganham altos salários e há um batalhão de puxa-sacos abrindo portas e carregando suas pastas. Na Suécia são tratados sem formalismos, não tem mordomias, verbas de gabinete ou assessores particulares. Andam de bicicleta, metrô ou ônibus.
Há duas grandes diferenças entre nossos políticos e os suecos: lá eles têm o respeito do povo e nunca usam o dinheiro público em proveito pessoal.

Renato de Paiva Pereira - empresário e escritor. E-mail:renato@hotelgranodara.com.br



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