Terça, 11 de outubro de 2016, 00h00

Aperfeiçoando a Democracia


Perguntem a amigos que foram prefeitos ou vereadores, se tiverem intimidade ou ousadia para tanto, se eles presenciaram ou souberam de casos envolvendo compra e venda de apoios políticos, pagos e recebidos com cargos, empregos ou dinheiro, durante seus mandatos.
Seus amigos não participaram, claro, de nenhuma ilegalidade. A dúvida é sobre os outros políticos com quem conviveram.
Em um momento de sinceridade, numa rodada de chope ou depois alguns whiskies, principalmente se já tiverem afastados da política, eles confirmarão que os apoios a projetos de interesse do executivo, muitas vezes são a obtidos em negociações ilegais. E o que é pior, não raro essas negociatas são necessárias até para conseguir votos da base de sustentação.
Alguns acordos menos democráticos são quase inevitáveis, porque as oposições, sejam do PT ou do DEM, só para ficar nos extremos, preferem investir na inviabilização da administração do momento, com o discurso que estão fazendo tudo em benefício do povo. Na verdade o que conta mesmo, com as exceções de praxe, é faturar alguma coisa imediata (dinheiro ou cargo) ou conquistar o poder no futuro, futricando a situação.
Essa nossa forma de democracia direta de onde saem prefeitos e vereadores despreparados e corruptos, tem baixíssima chance de dar certo. Sou eleitor há mais de 50 anos e nunca vi um período em que o povo confiasse nos políticos. Agora está pior, como atestam as abstenções, votos brancos e nulos dessa última eleição. Creio que esta observação pessoal, mesmo abrangendo um espaço de tempo mais ou menos reduzido, mostra que, contrariando o censo comum, o exercício do voto, pelo menos por estas bandas, não aprimora a democracia.
Embora muitos neguem que se possa fazer um paralelo entre empresas privadas e administração pública, acho que em alguns aspectos é possível sim, comparar. A essência de ambas é o bom uso do dinheiro, vindo de vendas de um seguimento e de impostos no outro. Claro que muito antes da ideologia é o dinheiro que determina o sucesso na iniciativa privada e o volume de benefícios a ser distribuído à população pela administração pública.
Por isso o requisito mínimo necessário para um administrador é, ou deveria ser, a capacidade. Além, claro, da probidade entre outras qualidades desejáveis.
Volto à forma de escolha na democracia direta. Nenhuma empresa, por mais democrática que seja, delega para aos funcionários a tarefa de escolher o líder. Aqui, diferente da política, as vagas são ocupadas pelos mais competentes e não pelos bonzinhos que se perpetuam beijando criancinhas e abraçando velhos. Nem tampouco pelas rimas grotescas e musiquinhas cafonas que proliferam nas campanhas políticas.
 Na década em que nasci (1940) 56% das pessoas acima de 15 anos eram analfabetas. Hoje são menos de 9%. Em 1960 apenas 142 mil jovens estavam matriculados no ensino superior. Agora são 7 milhões. Nesse período a população cresceu menos de 3 vezes e os universitários quase 50 vezes.
Passados 70 anos, a despeito dos milhões de votos colocados nas urnas e do extraordinário aumento da escolaridade média da população, não vejo nenhuma melhora na qualidade dos políticos. Aliás, parece que piorou.
Esse modelo de democracia direta está velho. Precisa ser repensado. Não pelos políticos, porque para eles está ótimo assim.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. E-mail:renato@hotelgranodara.com.br



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