Candidato imaginário | Gazeta Digital

Terça, 18 de outubro de 2016, 00h00

opinião

Candidato imaginário


Das virtudes tenho especial predileção pela serenidade. Admiro pessoas sensatas que enfrentam os problemas com moderação e temperança.
Nessa eleição meu candidato a prefeito seria uma pessoa com essa qualidade, pois administração eficiente não se faz com o fígado e discursos, mas com racionalidade, que definitivamente não anda junto com o ódio, intolerância e sofismas.
Para conquistar meu voto o candidato deveria ser humilde, sem rompantes e sem estrelismos. Não seria um messias, mas um profissional que ofertasse seus serviços para a comunidade, como alguém que vai comandar uma empresa e receber pelo trabalho. Porque essa história de amor à cidade, patriotismo, cuiabania etc. é enganação para conseguir o voto.
Ele não pediria votos, porque não está buscando favores, mas sim oferecendo-se para trabalhar. Apenas apresentaria seu currículo e colocaria a experiência a serviço do município mediante remuneração, pois administrar é sua profissão e dela ele vive.
Ainda teria o despojamento, sem autoproclamar-se humilde, de não apresentar-se como um ‘sabe-tudo’ com as soluções para os complexos problemas da comunidade. Antes pediria um tempo, após ser escolhido, para se inteirar da real situação financeira da prefeitura e só depois, ciente das demandas e condições para satisfazê-las, traçaria um plano.
Meu candidato não usaria o termo ‘bateu-levou’ , jamais levantaria a vida pregressa do concorrente para desmoralizá-lo. Nunca tentaria ridicularizar o oponente com ironias e frases de efeito, como tem acontecido em Cuiabá. Aqui um candidato useiro e vezeiro das difamações foi gravado homenageando o ex-bicheiro João Arcanjo, do outro levantou-se um dívida milionária e a tentativa de pagá-la com esmeraldas falsas. Também, a julgar pela opinião repetida na mídia, que um tem do outro, seriam ambos contumazes mentirosos.
Sobre os elogios ao bicheiro é oportuno dizer que a ‘elite’ cuiabana que hoje joga pedra no comendador, há 20 anos o reverenciava e os políticos lhe beijavam as mãos em troca de dinheiro para as campanhas.
Para escolher o vencedor, a mim bastariam os currículos. Dispensaria com prazer os debates, onde ganham os retóricos e os sofistas, especialistas na arte de validar ideias falsas e deturpar o raciocínio do adversário.
O prefeito que imagino receberia um salário de mais de 50 mil reais mensais o que seria uma ninharia perto do que consomem atualmente os mandatários. Ele dispensaria carros com motorista, seguranças, gabinetes luxuosos e cadeiras de alto espaldar.
Meu candidato ignoraria liturgia do cargo. Discretamente, como convêm a um administrador capacitado, percorreria os bairros, sem assessores e puxa sacos, para inteirar-se dos problemas e, na medida do possível, diante das limitações financeiras que sempre existirão, resolvê-los da forma mais eficiente e barata.
Entretanto para ganhar meia dúzia de votos iguais ao meu os candidatos perderiam milhares desses eleitores que adoram ‘barraco‘ e baixaria. Por isso os políticos continuarão com seus agressivos discursos ardilosamente ornados e eu exercerei o ‘sagrado’ direito de não votar, pois já passei da idade de ser obrigado a fazê-lo.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. E-mail:renato@hotelgranodara.com.br

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