Terça, 25 de outubro de 2016, 00h00

Paradoxos


Quando a internet ficava fora do ar os filósofos gregos antigos, só para aliviar o tédio, inventavam pegadinhas a que deram o nome de paradoxos. Tem aquele, chamado de paradoxo da onipotência, que indaga se Deus, sendo todo poderoso, poderia criar uma pedra tão pesada, que nem Ele pudesse carregá-la. Se não pode criar tal pedra não é onipotente, especulam; se não consegue carregar a própria criação não pode todas as coisas, completam. Outro é o do cretense mentiroso. Afirma Epimênides (filósofo cretense séc. VII a.C): ‘todos os cretenses são mentirosos’. Se Epimênides está mentindo a afirmação é verdadeira, pois ele é cretense. Se ele está dizendo a verdade a afirmação é falsa.
Lembrei-me deste último paradoxo por conta da corrida eleitoral neste segundo turno aqui em Cuiabá.O candidato ‘A’ divulgou na mídia que o candidato ‘B’ mentiu quando lhe atribui participação em crimes e safadezas. Por sua vez o candidato ‘B’ também publicou, na mesma mídia, que o candidato ‘A’ mente descaradamente atribuindo-lhe vilezas e traquinagens.
Ambos afirmaram que o concorrente relatam coisas que nunca aconteceram para ganhar votos.
Se os candidatos dizem que os oponentes mentiram quando lhes atribuíram crimes, mutretas ou transgressões é lícito perguntar se essas afirmações (sobre o fato do oponente estar mentido ou inventando coisas) são verdadeiras ou falsas.
Primeira especulação: Os candidatos estão falando a verdade quando condenam o concorrente por ter inventado mentiras contra eles. Nesse caso, como ambos insistem que o adversário conscientemente publicou mentiras, fica claro que os oponentes inventaram mesmo as acusações que divulgaram antes na mídia e são, portanto, mentirosos.
A segunda vertente é que os candidatos estão mentindo na afirmação sobre a veracidade das informações anteriormente divulgadas pelo opositor. Se ocorre esta possibilidade concluímos que as mentiras de que são acusados os postulantes não são de fato mentiras e que os episódios ou falcatruas denunciados, de um e de outro, realmente aconteceram. Aí eles são duplamente mentirosos: inventaram histórias e negaram a autoria.
O verdadeiro paradoxo, entretanto, é que os eleitores votando em A, votando em B, votando em branco, anulando o voto ou não comparecendo às urnas de alguma forma estão sacramentando o recorrente uso de ‘espertezas’ dos candidatos.
Esse modelo de democracia direta institucionalizou o engodo e a malandragem no meio político. Tais vícios estão totalmente incorporados no processo como estratégia de marketing: a descoberta da mentira tem muito menor dano do que os que ela provoca. Ao contrário do que o senso comum repete e garante, parece que é a mentira e não a verdade que vence sempre.

 
Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. E-mail:renato@hotelgranodara.com.br



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