Terça, 06 de dezembro de 2016, 00h00

Encruzilhadas


Depois de muitos anos de estrada, olhando para trás e vendo o caminho que percorremos, pode ficar a sensação de que este trajeto foi uma linha que necessariamente deveria ser trilhada, ou dito de outro jeito: este percurso estava determinado pelo destino. Visto do fim para o começo as incontáveis encruzilhadas e atalhos que apareceram, obrigando-nos a escolhas a cada momento, perderam a nitidez ficando vagos na nossa memória.
E assim no máximo conseguimos explicar, se dedicarmos algum tempo à reflexão, como cada coisa aconteceu, mas dificilmente atinamos com o porquê delas. Também possivelmente nos lembraremos somente das grandes bifurcações, trifurcações ou ‘polifurcações’ com o perdão do neologismo, que se apresentaram à nossa escolha, esquecendo das recorrentes pequenas decisões que tomamos durante a vida e que, por certo, foram tão determinantes quanto as opções mais radicais.
O fato é que para chegar ao momento de uma grande decisão, digamos definir o curso universitário, trocar de emprego, escolher o parceiro (a), mudar de cidade ou país, diversas escolhas foram feitas por nós ou por outros quando não podíamos não queríamos decidir. Algumas pediram e tiveram tempo para reflexões, outras tantas premidas pela necessidade obrigaram-nos a definições rápidas, às vezes irrefletidas. Também essa viagem em retrospectiva tem um viés enganador. Refazendo o caminho de volta, viajando ao contrário em um exercício mental, as estradas que vemos agora sem encruzilhadas, não somos mais o mesmos que a percorreram. Mudados com certeza e talvez moldados pelas próprias estradas, dificilmente conseguimos perceber como éramos em cada momento ou circunstância e lembrar das emoções que nos guiavam na tomada de cada decisão. Assim julgamos, inconscientemente, com valores do presente a grande maioria das atitudes do passado.
Se esse raciocínio vale individualmente também serve para a coletividade. Podemos chegar à conclusão que todas as coisas que regem a sociedade também foram encruzilhadas que exigiram escolhas, muitas delas absolutamente aleatórias, que poderiam ser totalmente diferentes.
A democracia, como forma de governo, foi a única ou melhor escolha? O cristianismo, teria sido uma opção entre tantas outras religiões possíveis ou uma consequência das conversões pessoais do apóstolo Paulo e muito depois do imperador romano Constantino? O medonho assassinato em massa de judeus aconteceria mesmo sem a nefasta liderança de Hitler e sua obsessão eugênica? O Islamismo fanático que amedronta o mundo só existe porque um mercador semialfabetizado recebeu diretamente de um anjo o material de um livro que fundou essa religião.
O determinismo não existe, embora muita gente aposte nele. Nossas crenças, decisões e rumos não são um produto inevitável do destino, mas o resultado de escolhas e da imprevisibilidade da vida, que alguns podem chamar de sorte ou azar. O acaso sempre foi nosso companheiro inseparável e com ele seguiremos até o fim.


Renato de Paiva Pereira - empresário e escritor E-mail:renato@hotelgranodara.com.br



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Terça, 31 de janeiro de 2017

00:00 - Samba-enredo e Agronegócio

Terça, 24 de janeiro de 2017

00:00 - Como nascem os heróis

Terça, 17 de janeiro de 2017

00:00 - O tombo

Terça, 10 de janeiro de 2017

00:00 - Chavões e Modismos

Terça, 03 de janeiro de 2017

00:00 - A Fonte Luminosa e os Vereadores

Terça, 27 de dezembro de 2016

00:00 - O Canto da Sereia

Terça, 20 de dezembro de 2016

00:00 - Doações e doadores

Terça, 13 de dezembro de 2016

00:00 - Ginetes e cavalgaduras

Terça, 29 de novembro de 2016

00:00 - Maconha no Campus

Terça, 22 de novembro de 2016

00:00 - Aposentado


 veja mais
Cuiabá, Sexta, 24/02/2017
 

WhatsApp Twuitter
WhatsApp

Fogo Cruzado waze

titulo_jornal Sexta, 24/02/2017
A62e5578094d90cd223922c882d8cb18 anteriores




Rádios ao vivo
  • cbn
  • cbn
Indicadores Financeiros
Dólar Comercial 3,0656 -0,12%
Ouro - BM&F (à vista) 122,40 +0,66%
+ veja mais
Mercado Agropecuário
Boi Gordo @ 126,00
Soja - saca 60 kg 64,50
+ veja mais
Mais Lidas Enquete

Reforma trabalhista prevê que patrões e empregados poderão negociar a jornada de trabalho, desde que não exceda 220h/mês. Qual sua opinião?



Logo_classifacil