Terça, 13 de dezembro de 2016, 00h00

Ginetes e cavalgaduras


O Estado do Rio de Janeiro quebrou. Sem dinheiro para as despesas diárias montou um plano de contenção de gastos que está conturbando a cidade. O Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade financeira porque as contas públicas chegaram ao fundo do poço.
Minas Gerais também interrompeu os pagamentos para tentar manter em funcionamento ainda que precariamente a saúde e segurança.
A previdência explodiu. Tanto que para tentar recuperá-la vai ser necessário aumentar a idade para aposentadoria, mexer na contribuição dos servidores públicos, taxar os trabalhadores do setor rural e cortar os benefícios radicalmente.
Os gastos públicos estão insuportáveis, tanto que a PEC do teto dos gastos tentando frear a gastança está prestes a ser aprovada no Senado, pois a maioria sabe que é impossível continuar como está.
Falando em gastança a Câmara Municipal de Cuiabá cortou quase 400 servidores comissionados, entre assessores parlamentares, técnicos, chefes de gabinetes e parasitas que consomem o dinheiro público. Só tomaram essa medida por imposição do MP para fechar a conta do ano. Na próxima legislatura contratarão este tanto ou até mais.
Uma indagação se impõe: como deixamos a coisa chegar a esse ponto? Creio que fomos domesticados aos poucos: primeiro nos botaram cabresto e não refugamos; depois o arreio que aceitamos sem resistência; em seguida calçaram esporas e achamos bonito; por fim montaram e nos cavalgam desde então.
Somente essa sequência explica por que nos acostumamos bovinamente aos espetáculos diários de roubos, inépcia e exibicionismo dos nossos domadores (políticos) e aceitamos que eles se tornem uma classe superior e ainda oferecendo-lhes andadura confortável e tratamento servil.
Os políticos às vezes usam o doce no lugar do chicote. Daquele nos deram um pouco para facilitar a doma,
mas não estava pago (o doce) e a conta chegou. Muitos que não comeram vão pagar pelos que comeram muito.
E o que é pior: atacados pela síndrome de Estocolmo amamos nossos cavaleiros. Ficamos felizes quando trocamos um maldoso a quem chamamos de ditador por outro que escolhemos (votando) para nos montar, que seria o democrata.
Mas não precisa ser assim, na Suécia um vereador nem salário tem e os deputados ganham pouco mais que um professor primário, sem nenhum privilégio extra a não ser um apartamento funcional de 45 m2. Ministros, prefeitos ou presidentes do parlamento não tem direito a residência oficial, carros ou motoristas. Os tratamentos cerimoniosos foram abolidos do país para não distanciar o povo das autoridades.
Lá um parlamentar com 8 anos de trabalho, quando encerra o mandato, tem direito a 85% do rendimento e somente por um prazo máximo de 2 anos.
Temos que aprovar a PEC dos gastos e reformular a previdência, mas isso é pouco. O povo precisa acabar com o desperdício em todos os poderes. Cortar sem dó salários abusivos, verbas de todo tipo, carros de luxo, motoristas, assessores, residências oficiais, viagens desnecessárias além exigir produtividade dos servidores e respeito ao povo que os paga. Urge rever os repasses para assembleias, judiciário, ministério público, tribunais de conta e defensoria.


 Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. E-mail:renato@hotelgranodara.com.br



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