Quinta, 23 de junho de 2016, 00h00

Heranças políticas


Em 1994, recordo-me duas conversas relacionadas à formação da política futura de Mato Grosso. A primeira, com o senador Jonas Pinheiro, e a segunda com o delegado do IBGE, Nelson Pinheiro. Jonas defendia que a política trocaria de mãos no futuro próximo. Nelson afirmava que os ‘olhos‘ azuis assumiriam a economia e a política ao longo do tempo. Ele brincava sempre com a expressão ‘bugres de olhos azuis‘, como chamava os herdeiros da grande miscigenação que acontecia no estado a partir de 1973 com as primeiras migrações na fase de ocupação da Amazônia. Em 1994 o agronegócio exibia a sua primeira grande safra de 3,5 milhões de toneladas de soja.
Jonas Pinheiro, cuiabano da gema, foi de certo modo o intermediário na passagem do poder político. Oriundo da extensão rural elegeu-se deputado federal e ligou-se aos líderes do agronegócio nascente à época, lá pelos anos 1980. Intermediou a negociação de dívidas dos produtores, etc. Em 1994 elegeu-se senador tendo com suplente o desconhecido produtor Blairo Maggi. O agronegócio floresceu à sua sombra. As cabeças da política estadual até então estavam concentradas em Cuiabá e Várzea Grande.
Mas os grandes lideres da época, Júlio Campos, Jaime Campos, Carlos Bezerra, Dante de Oliveira, Roberto França, José Riva, Humberto Bosaipo, Jonas Pinheiro, Rodrigues Palma, entre outros, nunca cuidaram de construir sucessores. As divergências partidárias e outros interesses políticos desaguaram em 2002 com o seu esgotamento. O interior já tinha vários parlamentares eleitos na esfera estadual e federal. Na eleição de 2002 Dante foi substituído por Blairo Maggi. A partir dali os ‘olhos azuis‘ do professor Nelson Pinheiro, entraram pra valer na cena política.
Já não se pode falar sequer numa política cuiabana. A política agora tornou-se estadual e ainda não tem grandes chefes. Além do fato de estar muito diluída nas regiões do estado. Pedro Taques elegeu-se governador em 2014 por uma circunstância de momento. E não vai patrocinar uma retomada de forças, até porque é muito individualizado. Não representa grupos e nem filosofia política. Olhando ao redor, o ambiente é de ‘boqueirão‘, conforme definia Roberto França para as brechas abertas.
De fato, teremos uma conduta política regional conjunta com chances de mudar a cada nova eleição. Grupos futuros novos, no futuro, quem sabe!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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