Promessas prometidas | Gazeta Digital

Quinta, 18 de agosto de 2016, 00h00

Promessas prometidas


Começou a campanha eleitoral de prefeitos e vereadores. É tempo de muitas promessas desesperadas e até desconectadas da área e de ação das prefeituras. Os candidatos a vereadores normalmente fazem muitas promessas enlouquecidas, pelo fato de não conhecerem os limites de ação do cargo. Na eleição de parlamentares federais em 2012 o candidato a deputado federal por São Paulo, o Tiririca brincou com isso. ‘Vou lá saber o que faz um deputado federal e depois conto pra vocês‘. Certamente descobriu, gostou e não contou.
Mas é com os prefeitos que a coisa pega, porque a sua ação depois de eleitos afetará profundamente a vida dos cidadãos da sua cidade. Na eleição de prefeito em Cuiabá já começaram as loucuras de promessas. Há quem prometa passagens gratuitas nos ônibus coletivos. Há quem prometa retomar a Sanecap e retorná-la à condição de empresa pública. Há quem prometa consertar a segurança pública. E há quem prometa transformar o VLT numa obra municipal. O que isso revela, perguntaria o leitor?
Revela o despreparo de conhecimentos dos problemas da capital. Porém, muito pior, revela a falta de planejamento efetivo e eficiente para ser aplicado à gestão. Corremos o risco de eleger um prefeito que repetirá a velha estória repetida milhares de vezes: o primeiro ano passa criticando o antecessor. No segundo lança algumas obras ao acaso, no terceiro passa conversando e no quarto entra em nova campanha eleitoral. De concreto fica muito pouco.
O planejamento seria essencial, mas teria que ser construído durante muito tempo antes da construção da candidatura. Aliás, a candidatura seria conseqüência do planejamento e não o contrário. A título de informação ao eventual leitor descuidado. Segurança é um assunto de competência do governo estadual e do governo federal. Ônibus não pode circular de graça porque o município não pode por lei, dar passagens de graça. Precisa ter um plano de transporte coletivo pra enquadrar eventual gratuidade ou subsídio. A educação fundamental cabe ao município. A média ao governo estadual e a terceiro grau ao governo federal. Qualquer interferência aí do tipo ‘eu quero‘ ou ‘eu prometo‘. Promete-se o improvável, elege-se e depois? Caos, naturalmente


Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br

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