Árvore eu sou | Gazeta Digital

Quinta, 22 de setembro de 2016, 00h00

Árvore eu sou


Na década de 1970 na Suécia o mundo moderno do século 20 se deu conta de que é vida tão vivente quanto as árvores que então se cortava. Sem compromissos com aquele presente e com o futuro, a árvore simbolizava o homem. Um ser caminhante sobre a Terra há 40 mil anos. As árvores são companheiras dessa caminhada. Ela nasce e morre em ciclos mais longos. Enquanto viva, sustenta a vida do homem. No equilíbrio da água na atmosfera. No solo. Nas chuvas, nos rios e nas fontes de água. A mesma água que correm em 70% da composição de peso de qualquer ser vivente.
Desde o início de sua jornada, o homem entrou em conflito com a árvore. Uma espécie de luta dele consigo mesmo usando um terceiro como justificativa pra manter vivo o seu espírito destrutivo. Nessa jornada, o homem matou a si mesmo em guerras e mais guerras. Aprendeu a matar e a justificar as matanças em nome de causas nobres ou não.
No século 20 o alcance das tecnologias foi fantástico. Justamente quando mais o homem matou árvores. E matou homens. Dez milhões na guerra entre 1914 e 1918, e 50 milhões na de  1939 e 1945. Nunca tantas árvores foram destruídas e justificadas nessa trajetória de autodestruição. O século 20 terminou com o planeta demonstrando sinais de cansaço. A humanidade também. Rios secando. História milenar morta por muitas razões. Desertos, lagos secos, oceanos confusos. Homem confuso. Busca de identidade econômica em cima da Terra.
 No dia da árvore em 2016, árvores choram. O homem se resseca sobre um solo  cada dia mais cansado.  Árvores arrancadas aos milhares. Paisagens nunca mais serão as mesmas. Solos tristes a caminho de serem desertos. Homens sobre a terra caminhando pra rumos sem direção. Espera-se que novas tecnologias minimizem esse caminhar destrutivo. Na superfície do planeta, árvores no chão. Acima, ar poluído. Nas águas, venenos e lixo. Homens contaminados juntos com a água e com as árvores que destruiu em busca da sua felicidade econômica.
Jornada cruel. Aprender a conviver com as árvores restantes e restaurá-las será tão sobreviver quanto sobreviver a si mesmo. Equação ruim. Destino de apocalipse. Na conta só conta mesmo a sobrevivência da espécie e nela a sobrevivência do ambiente que sustenta homens e árvores. Sem alternativa. Árvore eu sou!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. Email: onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br



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