Quinta, 06 de outubro de 2016, 00h00

Crises e a história


A imprensa divulgou ontem a notícia de que a Lei das Diretrizes Orçamentárias - LOA, para 2017 congelou o valor dos repasses constitucionais aos poderes. Nada poderia ser mais oportuno. Os poderes têm sido gastadores eméritos ao longo do tempo. Beneficiaram-se dos sucessivos aumentos da arrecadação estadual dos últimos anos. Mesmo que não justificasse o aumento enorme nos repasses, dedicaram-se a construir anexos riquíssimos, gabinetes ‘hollywoodianos‘, carrões, até cadeiras além do luxo necessário para as respeitáveis bundas de muitas excelências. Bizarrices assim!
 A crise econômica brasileira construída nos últimos anos chegou aos estados e está cobrando um preço cruel. Salários parcelados, investimentos reduzidos, sensação de que estamos caminhando pra trás. Porém, não é a primeira vez que as crises assolam a gestão pública em Mato Grosso. Tomo a liberdade de resgatar a memória de algumas pra mostrar que elas existem, são passageiras e, sobretudo, deixam poderosas lições. Se bem aproveitadas são mais oportunidades do que riscos.
Frederico Campos assumiu o primeiro governo de Mato Grosso depois da divisão de 1977, com o assunto mal resolvido na passagem das gestões Geisel pra Figueiredo. Estado quase sem receita, economia pobre, necessidades imensas. Passava mais tempo em Brasília do que em Cuiabá. Um ano depois as coisas já tinham um rumo. Júlio Campos enfrentou em 1985/86 a crise dos repasses compensatórios pela divisão, chamado de Fundo de Desenvolvimento de Mato Grosso que o governo federal deveria enviar por dez anos e cessou com dois. Júlio recorreu a empréstimos externos e governou bem. Lutou desesperadamente pra sobreviver.
Em 1995 Dante de Oliveira encontrou as finanças arrasadas por muitas circunstâncias. Pra cada real arrecadado, devia três. Adoeceu de pavor. Mas em 1997 o estado renegociou com o governo federal todo o montante das dívidas começadas lá na divisão do estado, mais as resultantes do ajuste fiscal que precisou fazer. Em 2003 entregou o governo pra Blairo Maggi, em excelente situação financeira.
Em 2015 Pedro Taques recebeu o estado desorganizado, mas com as contas em dia. A crise desarrumou as finanças e a gestão. A luta pra resolver a crise será apenas mais uma. A negociação com os poderes já é promissora junto com outras medidas de contenção dos gastos. Mas o caminho costuma ser longo, porém de duração curta. Persistência e reinvenção. Dará certo mais uma vez como deu nas demais que passaram e hoje restam na memória de poucos.


Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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