Quinta, 08 de dezembro de 2016, 00h00

Social ou econômico


O governo Pedro Taques tem pela frente nesses dois próximos anos a tarefa de criar uma identidade. Quer conduzir um governo voltado pro social ou pro econômico? Se for pro econômico, vai enfrentar o pouco tempo que lhe resta pra lançar obras e realizá-las. Além da perigosa falta de recursos de que padecerá até o fim de 2018. Se voltar pro social, terá que construir uma malha de ações sociais que, fatalmente, precisa envolver amplos segmentos da sociedade.
No caso da opção ser por uma identidade de social, aí precisará de planejamento complexo e demorado. Por exemplo: rever a educação e direcioná-la no sentido do social. Ou seja, da transformação da sociedade para o fim da melhorar os índices da saúde, da segurança e inventar uma cidadania pros 3 milhões de mato-grossenses. Falar em cidadania hoje é falar grego dentro da estrutura do Estado.
Por outro lado, o econômico implica em desenvolvimento. Este implica em muitas obras capazes de responder a idéias específicas. Rodovias, onde e porque. Ferrovia, hidrovia. Outros setores que pedem grande planejamento e muitos recursos. É bem verdade que o país vive uma fase em que nenhum estado da federação, de sã consciência, pode definir-se pelo social ou pelo econômico. Poderosos estados como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais vivem à beira da falência. Os demais estão namorando o abismo. Uns mais perto, outros mais longe, mas todos com o abismo povoando os seus pesadelos.
Mato Grosso tem um futuro extremamente promissor nos próximos anos. Mas depende de muitos recursos que hoje não existem. Nesses casos, somos obrigados a buscar na História experiências já consolidadas. Vou ater-me à última em Mato Grosso, apenas pra fins didáticos, já que a História nunca se repete igual. Em 1995 o governador Dante de Oliveira viu-se diante do mesmo dilema. Optou pela reorganização da máquina pública do Estado esperando construir um projeto de governo a partir da solução do caos. Precisou de muita coragem.
Hoje o governador Pedro Taques vive o mesmo dilema. Ou reforma o Estado, acredita na mesma didática de Dante e espera os resultados. Naquela época todos os estados também estavam quebrados. Nisso reside e a semelhança.
Concluo a primeira tese do título deste artigo. A gestão atual precisa olhar no espelho e se definir estrategicamente. Qualquer opção que escolher terá riscos e preço. Mas será melhor do que deixar o rio correr sozinho...

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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