Quinta, 29 de dezembro de 2016, 00h00

Já vai, 2016? - I


Tem uma cena registrada na retomada de Paris no fim da segunda guerra mundial que me toca profundamente a alma. É uma foto de jovens soldados e jovens moças civis se abraçando e beijando nas ruas da cidade, enquanto os tanques da libertação percorrem sofrida cidade invadida pelos alemães em 30 de julho de 1940. A cena mostra a alegria depois do imenso sofrimento de seis anos de violência, de desmonte de todos os valores e princípios, de fome, de doenças, das mais inimagináveis perdas da gente parisiense.
Quando decidi escrever neste final de ano uma série de quatro artigos, de hoje até segunda-feira, imaginei fazer uma retrospectiva deste ano e abrir um leque de cenários para 2017 a partir disso. Sei que é muita pretensão. Mas imagino que a vivência tão intensa desses últimos anos seja o suficiente pra começar essa aventura. Peço ao leitor desculpas por eventuais equívocos ou avaliações questionáveis.
Na realidade, 2016 começou em 2014 quando se elegeu a presidente Dilma Rousseff num ambiente confuso. O PT morrendo de contradições, e o governo que o representava morrendo por suas contradições pesadíssimas. Entre um e outro, verdades falseadas. A crise desenhada em 2014 tomou corpo em 2015 e virou um tsunami em 2016 com os resultados já conhecidos. 2016 não terá data pra terminar. Em tese, poderá ir até 2023, fim do mandato do próximo presidente da República e dos parlamentares eleitos em 2018.
Até lá recessão econômica e política. Porém, muito pior do que essas, é a recessão social. É um gesto de descrença da sociedade. Aqui entra de novo a imagem de Paris sendo retomada. Mas não temos ainda nenhum exército aliado nos defendendo. A população da nossa Paris ainda se esconde atrás das ruínas deixadas pelas bombas lançadas pelos nossos alemães. Uma longa e difícil retomada. Não temos educação de cidadania que reeduque a sociedade para tomar nas mãos o seu destino. Uma massa de alienados, dolorosamente presa de futilidades como a televisão, o futebol, o álcool, os prazeres individuais exagerados. E uma imensa capacidade de escapar da sua responsabilidade sobre os problemas sociais e sobre si mesma! Pouca educação. Pouca cidadania! Nos próximos artigos uma tentativa de esmiuçar essa floresta de questionamentos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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