Gaeco prende desempregado e acha R$ 474 mil na conta bancária | Gazeta Digital

Quinta, 22 de junho de 2017, 16h20

DONO DE EMPRESA FANTASMA

Gaeco prende desempregado e acha R$ 474 mil na conta bancária

Celly Silva, repórter do GD


Marcus Vaillant

Gaeco prendeu João Paulo Queiroz e outras 10 pessoas na Operação Convescote

Por meio da quebra do sigilo bancário dos alvos da Operação Convescote, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) descobriu que João Paulo Silva Queiroz, dono da empresa de fachada João Paulo Silva Queiroz ME, apesar de desempregado, tinha em uma de suas contas bancárias  R$ 474.7 mil. O valor, localizado na conta de pessoa jurídica, representa uma média de R$ 30 mil por mês que ele recebia da Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe), pivô de um esquema de corrupção. 

O alvo da investigação são desvios milionários em órgãos públicos que mantinham convênios com a Faespe.  João Paulo foi um dos 11 presos na Operação do Gaeco deflagrada na última terça-feira (20) com mandados judiciais cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. 

Com autorização da Justiça, o Gaeco fez a quebra dos sigilo em contas que ele possui no Banco do Brasil, Santander, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Banco Cooperativo do Brasil – Sicoob/Cooperforte. Informações relevantes foram encontradas pelos investigadores nas contas da Caixa e do Sicoob.

Analisando os extratos bancários de João Paulo na Caixa Econômica, os investigadores apontaram evidente “escassez” de recursos financeiros. Em janeiro do ano passado, ele recebeu pouco menos R$ 10 mil relativos ao fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Entre março e junho, ele também recebeu depósitos referentes ao seguro desemprego, em valores equivalentes ao salário mínimo da época, “o que denota que o investigado esteve formalmente desempregado durante este período”, destacou o Gaeco.

Por outro lado, na conta do Sicoob referente à pessoa jurídica de João Paulo, o Gaeco identificou movimentações financeiras semelhantes às que foram encontradas na conta de outro investigado, Marcos Moreno Miranda, que, conforme, já divulgou o Gazeta Digital, recebia valores da Faespe e, logo em seguida, os transferia para a conta do servidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Cláudio Roberto Borges Sassioto.

Marcus Vaillant

Cláudio Roberto era o real beneficiário dos valores recebidos por João Paulo

Todos se tratam de alvos de mandados de prisão cumpridos na última terça-feira (20) pelo Gaeco. Dos três, somente Cláudio permanece preso.

Os valores que a Faespe repassava para as contas das empresas fantasmas eram provenientes de convênios firmados com órgãos públicos como a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), TCE-MT e Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra).

Conforme os extratos bancários obtidos junto ao Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias (Simba), no período entre 22 de fevereiro de 2015 a 3 de junho de 2016, foram creditados R$ 474.7 mil na conta pessoa jurídica de João Paulo, uma média de R$ 30 mil por mês.

Aproximadamente 9% do montante foi transferido para a conta da pessoa física de Cláudio Roberto Borges Sassioto junto ao Sicoob. A maior parcela foi sacada por João Paulo. Conforme divulgou  o Gazeta Digital, CLaudio e João Paulo foram vistos pelos investigadores saindo juntos do banco Sicoob no dia da abertura da conta.

Reprodução

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Contudo, ao confrontar os extratos da conta jurídica de João Paulo com a conta da pessoa física de Cláudio Roberto, ambas no Sicoob, verificou-se que parte dos saques efetuados pelo primeiro eram imediatamente creditados na conta do segundo. Veja:

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O Gaeco também ressaltou que a “sede” da empresa de João Paulo Silva Queiroz é, na verdade, a residência de Cláudio Roberto Borges Sassioto, o que demonstra que João não era o real beneficiário dos valores depositados. Outro fator que levou o Gaeco a essa conclusão foi a constatação da “péssima situação financeira” de João Paulo.

Essa última informação foi confirmada pelos investigadores não só com base nos extratos bancários de João Paulo, mas também pelo teor de suas conversas telefônicas interceptadas durante o mês de outubro de 2016, em que ele se mostrava constantemente à procura de um emprego.  

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