Juíza confirma que frentista foi 'laranja' em esquema - Veja vídeos | Gazeta Digital

Quinta, 29 de junho de 2017, 19h07

CORRUPÇÃO NA FAESPE

Juíza confirma que frentista foi 'laranja' em esquema - Veja vídeos

Karine Miranda, repórter do GD


A juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Contra o Crime Organizado da Capital, afirmou que o frentista João Paulo da Silva Queiroz foi usado como “laranja” no esquema investigado na Operação Convescote, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Por este motivo, revogou a prisão do mesmo em decisão no último dia 20. Dois vídeos com o depoimento do frentista na audiência de custódia foram publicados nesta quinta-feira (29) pelo site Midia News. Confira no final da matéria.

João Paulo foi preso durante a operação que apura a existência de uma organização criminosa supostamente engendrada para saquear os cofres públicos por intermédio da Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe).

Chico Ferreira

Juíza Selma Arruda diz que frentista foi “laranja” de esquema da Faespe

Ele é suspeito de ter integrado o esquema que teria desviado mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos através de contratos feitos com empresas fantasmas. Segundo o Gaeco, uma dessas empresas, criada por ele, teria recebido $ 474 mil da Faespe entres os anos de 2015 e 2016.

O dinheiro, porém, foi transferido para a conta pessoa física de Cláudio Roberto Borges Sassioto, servidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) apontado como um dos maiores beneficiários do esquema.

João Queiroz explicou, na audiência de custódia, que tem um filho e que precisa pagar pensão mensal, porém, estava desempregado há mais de um ano e meio e conseguiu trabalho em um posto de combustível da Capital, no início de junho.
Em análise da prisão preventiva, a juíza Selma entendeu que existem indícios de participação no crime e o fato de possuir um trabalho lícito não era requisito suficiente para revogar a prisão.

“Talvez ele tenha sido apenas um laranja deste esquema criminoso. Mas é certo que ele possui contas nas instituições financeiras e que existem indícios de autoria e materialidade. Também por conta disso, que vejo a necessidade da manutenção da custódia. Mas ainda, embora alega hipossuficiência e também alegue estar poucos dias exercendo função licita, não trouxe comprovação”, disse.

No entanto, após analisar os documentos sobre o trabalho de João, a juíza admitiu acreditar que ele seria mais um laranja dentro do esquema e solicitou para que a defesa de João Queiroz fizesse um pedido formal de revogação da prisão dentro do processo.

No documento, ela detalharia a participação de João no esquema e seus argumentos para a revogação da prisão. “É difícil a audiência de custódia porque a gente não pode inquirir sobre as características fáticas e isso acaba tanto tolhendo a defesa de explicar o que aconteceu, quanto a gente de saber, afinal de contas, o que pode explicar esse tipo de coisa. Eu vou, por enquanto, manter a prisão preventiva dele, doutora, mas eu vou lhe pedir que a senhora faça a gentileza de formular um pedido por escrito e aí, por favor, pelo menos, a senhora nos traga essas razões porque sinceramente pra mim isso não serve”, disse Selma Arruda à advogada de João Paulo.

A juíza complementou ainda afirmando que não cometeria a injustiça de mantê-lo preso enquanto os “grandes” do esquema permanecem soltos. “Mais um laranja, né? Ai a gente acaba prendendo os pequenos e deixando os grandes soltos e isso não gosto de fazer, sabe? Vou pedir que a senhora faça o mais rápido possível para evitar qualquer injustiça. Vai que ainda perde o emprego por causa disso, né?”.

No entanto, após realize do pedido, a juíza decidiu por converter a prisão por entender que o João Custodio tem emprego e filho sob sua responsabilidade. Ela substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de entrar em contato com os demais alvos e testemunhas, não se ausentar de Cuiabá e todo mês justificar as atividade para a Justiça.

“Em melhor análise, esse juízo retifica a decisão anterior, especialmente tratando-se de pessoa que recém conseguiu emprego fixo e que alega que tem um filho menor para sustentar. Portanto, concedo prazo à defesa para que traga a comprovação de que realmente tem essa pessoa que depende dele e de residência fixa e concedo ao custodiado o direito de usar monitoramento eletrônico”, disse.

Outras prisões – Além de João Paulo, foram presos preventivamente Claúdio Roberto Borges, Marcos Moreno Miranda, Luiz Benvenuti Castelo Branco de Oliveira, José Carias da Silva Neto, Karinny Emanuelle Campos Muzzi de Oliveira, José Antonio Pita Sassioto, Hallan Gonçalves de Freitas, Marcos José da Silva, Jocilene Rodrigues de Assunção e Éder Gomes de Moura.

Desses, quatro tiveram o pedido de prisão convertidos aceito pela juíza Selma Arruda. São eles, Karinny Emanuelle Campos Muzzi de Oliveira, Jocilene Rodrigues de Assunção, Marcos Moreno Miranda e o próprio João Paulo Silva Queiroz, único autorizado a sair de casa com uso da tornozeleira.

Operação Convescote – A operação apura desvios de dinheiro público em convênios celebrados entre a Faespe e instituições públicas como o Tribunal de Contas do Estado (TCE), Assembleia Legislativa, Prefeitura de Rondonópolis e Secretaria de Estado de Infraestrutura, que superam R$ 70 milhões. Por enquanto, as investigações já constaram desvio de pelo menos R$ 3 milhões.

De acordo com o Gaeco, instituições públicas firmavam convênios com a Faespe para prestação de serviços de apoio administrativo. A Fundação, por sua vez, contratava empresas de fachadas para terceirização de tais serviços. Ao final, os recursos obtidos eram divididos entre os envolvidos, sendo que o responsável pela empresa normalmente ficava com uma pequena porcentagem do montante recebido e o restante era dividido entre funcionários da fundação e servidores do TCE.

Até o momento, já foram identificadas 8 empresas irregulares que participaram do esquema. Ao todo, a operação cumpriu 11 mandados de prisão preventiva em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres, 16 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de condução coercitiva.

  

                

 

 

                 

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// matérias relacionadas

Quarta, 20 de dezembro de 2017

16:53 - Juíza nega devolver documentos apreendidos da Faespe

Quarta, 13 de dezembro de 2017

17:26 - TJ mantém juíza Selma em processo contra oficial de justiça

15:50 - TJ revoga prisão de policial do Gaeco acusado de vazar informações

Terça, 12 de dezembro de 2017

11:46 - Juíza declina de competência e PM será julgado na Vara Militar

Segunda, 04 de dezembro de 2017

18:53 - Gaeco investiga contrato entre Faespe e empresa do DF

Quinta, 30 de novembro de 2017

12:53 - Assessor do deputado Maluf volta ser alvo do Gaeco; veja lista completa

08:58 - Servidor do TCE e esposa, ex-diretora da Faespe, são levados a depor - Siga

Quarta, 29 de novembro de 2017

15:12 - AL prorroga investigação sobre contrato de R$ 100 milhões com a Faespe

Sexta, 24 de novembro de 2017

10:28 - Ex-procurador de Cuiabá confirma que ajudou desviar R$ 1 milhão

Quinta, 23 de novembro de 2017

14:06 - Juíza ouve policial que vazou dados do Gaeco


// leia também

Quinta, 18 de janeiro de 2018

18:15 - Por suspeita de fraude, MPE exige anulação de concurso em Alto Garças

17:23 - Inclusão de pessoas com deficiência é tema de palestra no TJMT

16:42 - Juiz libera 36 imóveis, veículos e avião de 2 delatores da Ararath

09:24 - Desembargador derruba todas as prisões de Arcanjo

Terça, 16 de janeiro de 2018

10:32 - Justiça anula primeira matrícula de imóvel em ação bilionária em Sorriso

Segunda, 15 de janeiro de 2018

14:30 - Silval Barbosa diz que se arrepende e está se retratando

12:43 - Falta de CNH não presume culpa de condutor em acidente, decide TJ

12:30 - Presidentes do TRF4 e do STF discutem ameaças a desembargadores

12:00 - MPE investiga incentivos fiscais concedidos ao resort de Blairo no Manso

09:47 - Pronto-Socorro de Várzea Grande tem 60 dias para realizar adequações


 veja mais
Cuiabá, Sexta, 19/01/2018
 

Facebook Instagram


Fogo Cruzado
titulo_jornal Sexta, 19/01/2018
B4342464d885d68375f74fddbcec4a71 anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

O governador Pedro Taques não vai liberar dinheiro para o Carnaval nos municípios. O que você acha disso?




Logo_classifacil









Loja Virtual