Amam nega interesse de Selma Rosane pela política | Gazeta Digital

Quarta, 21 de setembro de 2016, 17h45

POLÍTICA DE MT

Amam nega interesse de Selma Rosane pela política

Welington Sabino, repórter do GD



Selma Rosane disse que pretende se aposentar em 2017, mas nega interesse na política

Diante das especulações em torno do nome da juíza Selma Rosane Santos Arruda para vir a disputar um cargo eletivo futuramente, a Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam) comentou o assunto e negou categoricamente que exista, por parte da magistrada, qualquer interesse em se lançar na política partidária. Para a entidade, as notas sobre o assunto veiculadas na imprensa “não passam de especulações equivocadas, pois não refletem a realidade dos projetos de vida da magistrada”.

Selma Rosane se tornou a “bola da vez” enquanto membro do Judiciário mato-grossense cogitado para se lançar na política partidária em virtude de sua credibilidade e popularidade como juíza titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá e responsável por processos contra políticos importantes que já estiveram no comando do Executivo e Legislativo Estadual, mas que hoje são réus por corrupção.

Foi a magistrada quem decretou as prisões do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), e boa parte de seu antigo staff, entre eles, os ex-secretários de Estado, Pedro Nadaf, Marcel de Cursi e César Roberto Zílio, que outrora já comandaram importantes Pastas sendo responsáveis por ordenar despesas movimentando milhões de reais. Outro importante político mato-grossense que foi para a cadeia por determinação da magistrada é o o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva.

Vale lembrar que a juíza Selma Rosane não é a primeira e muito provavelmente não será a última magistrada a ganhar a admiração e respeito da população a ponto de ter o nome aventado para uma possível candidatura no futuro quando deixar a toga. Em entrevista concedida à TV Record Cuiabá no dia 15 deste mês, Selma Rosane anunciou que irá se aposentar em 2017 após concluir todas as missões na magistratura. Na entrevista ao Jornal do Meio Dia ela negou interesse em entrar na política.

Otmar de Oliveira

José Arimatéa, em nome da Amam, afirma que Selma Rosane não entrará na polítca partidária

No cenário nacional, isso já aconteceu com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, quando ele conduzia a pulsos firmes os processos do Mensalão, com a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon na época em que ela à frente do Conselho Nacional de Justiça e mandou investigar diversos magistrados Brasil afora sem amenizar a situação de nenhum deles e atualmente o “queridinho” do momento é o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Operação Lava Jato.

Os nomes dos 3 já foram aventados como “fortes candidatos” caso optassem por deixar a magistratura para se lançarem na política e testar os nomes nas urnas. Eliana Calmon pediu aposentadoria no STJ, filiou-se ao PSB em dezembro de 2013 e disputou uma vaga no Senado pela Bahia em 2014, mas não conseguiu ser eleita.

No caso de Joaquim Barbosa, quando anunciou sua aposentadoria do Supremo, em maio de 2014, provocou uma corrida para assediá-lo a ingressar na política partidária. Pelo menos por enqunto, ele não se filiou a nenhum partido. Já o juiz federal Sérgio Moro, em plena atuação nas ações penais da Lava Jato, tem seu nome citado com certa frequência em postagens nas redes sociais sugerindo que ele dispute o cargo de presidente em 2018.

Em 15 de julho de 2015 o Senado aprovou por 47 votos a favor e 9 contra uma regra de “quarentena” determinando que juízes e promotores que optarem por disputar eleições terão que deixar a função 2 anos antes do pleito e só depois desse prazo poderão se filiar num partido político. Até então, eram apenas 6 meses, mesmo prazo abreviado para a filiação a partido, que no caso dos demais cidadãos é de 1 ano.

Confira a íntegra da nota da Amam

NOTA DE ESCLARECIMENTO –

A AMAM - Associação Mato-grossense de Magistrados, entidade classista dos Juízes e Desembargadores do Estado de Mato Grosso, nos estritos limites do seu mister sócio-político e associativo, tendo em vista as recorrentes veiculações midiáticas acerca de uma suposta “futura candidatura” da Magistrada Selma Rosane Santos Arruda a cargo eletivo, vem a público apresentar Nota de Esclarecimento nos seguintes termos:

1. As informações insistentemente veiculadas nos meios de comunicação de massa, em especial em sites de notícias na internet, não passam de especulações equivocadas, pois não refletem a realidade dos projetos de vida da Magistrada.

2. Ao Magistrado em geral é vedada qualquer atividade de cunho político-partidário, conforme preceituam a Constituição e as Leis deste País, de modo que qualquer informação sobre supostas pretensões políticas de um Magistrado, ao contrário do que possa parecer ao senso comum, em nada contribui para o engrandecimento sócio-político-institucional do Poder Judiciário como árbitro constitucional e legal das salutares desarmonias individuais e coletivas emanadas da Sociedade em geral.

3. Talvez as persistentes veiculações midiáticas reflitam os anseios de uma Sociedade que sonha com líderes éticos e com mudanças radicais nos velhos padrões de gestão pública e atuação político-partidária, mas em nada contribuem com o trabalho sério, árduo e isento que a Magistrada vem desempenhando no exercício de seu mister institucional.

4. A AMAM - Associação Mato-grossense de Magistrados - declara, sem nenhum sofisma, que a Associada Selma Rosane Santos Arruda não alimenta e nem se alimenta dessa especulação acerca de potenciais pretensões politicas-partidárias, mas pelo contrário rege sua atividade jurisdicional pela distância institucional e respeitosa dessa nobre atividade republicana.

5. Em se tratando da correlação entre o exercício da jurisdição e a político-partidária urge afirmar que a Magistrada é adepta do adágio popular: “ado, ado, ado, cada um no seu quadrado!”, pautando seu trabalho com transparência e vigor nessa premissa republicana.

6. Portanto, é a presente NOTA para esclarecimento geral de que especulações dessa natureza não são úteis ao Magistrado e nem à Magistratura, razão porque devem ser evitadas para que não produzam ruídos institucionais que apenas atrapalham o labutar de qualquer Juiz que porventura seja alvo de tais equívocos midiáticos.

Cuiabá/MT, 21 de setembro de 2016.

José Arimatéa Neves Costa

Presidente da AMAM

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