Dono da Friboi revela propina de R$ 25 mi a Silval em troca de incentivos | Gazeta Digital

Sexta, 19 de maio de 2017, 15h07

Dono da Friboi revela propina de R$ 25 mi a Silval em troca de incentivos

Welington Sabino, repórter do GD


João Vieira

Preso desde setembro de 2015 Silval agora é delagado pelo dono da Friboi que revela pagamento de propina de R$ 25,5 milhões

A delação premiada dos donos da JBS/Friboi que sacudiu o cenário político brasileiro e pode resultar no impeachment do presidente Michel Temer (PMDB) também respinga em Mato Grosso complicando ainda mais a situação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que já está preso há 1 ano e 8 meses acusado de chefiar vários esquemas de corrupção com desvio de milhões de reais. Isso porque, os irmãos Joesley e Wesley Batista e também o diretor comercial da empresa, Valdir Boni, afirmaram para a Procuradoria Geral da República (PGR) que pagou R$ 25,5 milhões em propina para o grupo liderado por Silval.

Em contrapartida a empresa deixou de pagar R$ 73,5 milhões em ICMS, valor resultante do cálculo de créditos que a JBS deixou de lançar em seu favor em razão do sistema anteriormente vigente de recolhimento por estimativa. Vale lembrar que os incentivos fiscais concedidos irregularmente para empresa já foram contestados pelo Ministério Público Estadual (MPE) ainda em 2014 quando propôs uma ação por improbidade contra Silval, contra a Friboi, seu diretor Valdir Boni e outros 3 ex-secretários de Estado. As contas de todos os réus foram bloqueadas até o valor de R$ 73,5 milhões.

No documento com detalhes da delação de Weslei divulgado pelo site Folhamax, ele relata que Silval Barbosa assim que assumiu o governo de Mato Grosso em 2010, esteve na sede da empresa, em São Paulo (SP) pediu ajuda financeira ao grupo para custear sua campanha eleitoral. O encontro inicial foi com Joesley Batista.

Silval teria argumentado que os empresários seriam compensados por redução dos impostos estaduais. Naquela época, o peemedebista se preparava para disputar a reeleição, como governador. Até então ele era vice de Blairo Maggi (hoje no PP) que naquela época deixava o governo para disputar uma vaga no Senado.

Conforme a delação, a partir de 2011, Joesley Batista assumiu a presidência da empresa e os contatos de Silval Barbosa foram direcionados para ele. O ex-secretário de Fazenda, Pedro Nadaf também é citado na delação de Wesley Batista. O acerto era para a JBS fazer o pagamento em 3 parcelas de R$ 10 milhões por ano totalizando R$ 30 milhões. Porém, em 2014 o repasse não foi feito integralmente em virtude de uma multa aplicada pela Secretaria Estadual de Fazenda. 


Pedro Nadaf também é delatado por executivo da Friboi e usou empresa para receber R$ 200 mil

O empresário revela que em 2012 conseguiu uma audiência com Silval onde Nadaf também participou e pediu que o governo de Mato Grosso extinguisse para todos os frigoríficos os incentivos do Programa de de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) ou estendesse os benefícios para todos os frigoríficos da JBS.

Como solução provisória ao problema, o governo do Estado assinou um protocolo de intenções com a JBS subscrito pelo então governador Silval Barbosa e por Valdir Boni, representante da empresa. As testemunhas foram Pedro Nadaf que na época era secretário de Industria e Comércio e Marcel Souza de Cursi, então secretário estadual de Fazenda. No documento, foi concedido o crédito de ICMS no valor de R$ 73,5 milhões.

Consta no documento que na reunião de 2012 Silval pediu propina em contrapartida ao protocolo assinado. Depois de algumas negociações ficou decidido que o percentual não poderia ficar abaixo de 15% e nem ultrapassar os 15%. Os valores da propina foram pagos pela JBS em 2013 e 2014.

Wesley detalhou que os pagamentos foram feitos da seguinte maneira: R$ 7,5 milhões foram pagos à empresa Carol Mila Agropecuária Ltda, mediante sobrepreço em contrato de compra e venda de caminhões pela JBS, conforme determinação de Silval Barbosa, cerca de R$ 200 mil pagos è empresa NBC Consultoria de propriedade de Pedro Nadaf mediante nota falsa, R$ 1 milhão pago para a empreiteira Trimec também por meio de nota falsa.

Outros R$ 13 milhões foram pagos por meio de terceiros conforme orientação de Pedro Nadaf, mas que o delator não soube revelar os nomes, R$ 1,3 milhão foi emitido para a Construtora Sab Ltda mediante uso de nota falsa, cerca de R$ 2,5 milhões em espécie foram entregues por Florisvaldo/ ou Denilson na sede da JBS a emissários de Pedro Nadaf e Silval Barbosa sendo que uma dessas pessoas foi a então secretária de Nadaf, Karla Cecília de Oliveira Cintra, na Fecomércio.

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