Presidente da fecomercio é afastado, mas entidade garante que ele permanece | Gazeta Digital

Quarta, 14 de fevereiro de 2018, 19h33

votação ilegal

Presidente da fecomercio é afastado, mas entidade garante que ele permanece

Karine Miranda, repórter do GD


O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio), Hermes Martins da Cunha, e o primeiro tesoureiro, Paulo Sérgio Ribeiro, foram afastamentos preventivamente, por 180 dias, do comando da federação. A entidade, porém, alega que tal ação foi ilegal.

A decisão do afastamento foi tomada na tarde desta quarta-feira (14), após uma assembleia geral dos sindicatos que compõem a Fecomércio. Foram  7 votos pelo afastamento dos dois membros, acusados de cometer diversas irregularidades na gestão da Fecomércio.

Marcus Vaillant

Presidente da Fecomércio é afastado do cargo

Ambos são suspeitos de omissão e falsificação de documentos e ocultação de cheques que teriam sido usados em lavagem de dinheiro. Além disso, o presidente Hermes estaria agindo de modo a “obstruir” provas de fraudes cometidas pelo ex-presidente da entidade, Pedro Nadaf, que chegou a ser preso em 2015 na "Operação Sodoma", mas que responde em liberdade por fazer delação premiada.

A assembleia para decidir o futuro da diretoria estava marcada para o ano passado, mas os acusados conseguiram uma liminar no Tribunal Regional do Trabalho e a assembleia foi suspensa.

No entanto, a liminar foi cassada e a assembleia aconteceu nesta quarta-feira e foi marcada por tumulto e denúncia de agressão ao advogado Marilton Casal, que faz a defesa do vice-presidente, João Flávio Barbosa. O advogado alega que foi empurrado e retirado à força da reunião por funcionários da Fecomércio. Isso lhe causou ferimento em uma das mãos e hematoma no tórax.

"Eu fui lesionado. Me empurraram e me machucaram. Outros colegas sofreram algum tipo de lesão e isso nos envergonha, porque na verdade era para ser uma coisa democrática. Quando estamos em um estado democrático de direito, temos o direito de manifestar o voto. Agora, atitudes deste tipo de agredir funcionários, agredir membros do conselho do próprio vice-presidente da Fecomércio, e seus advogados, é uma coisa não aceitável. Isso nos entristece muito", disse Marilton.

Apesar disso, a assembleia ocorreu e foi decidido pelo afastamento de Hermes e Paulo Sérgio. Agora, o vice-presidente da Fecomércio, João Flávio Barbosa, assume a presidência da entidade.

Irregularidades – As irregularidades supostamente cometidas na Fecomércio foram alvos do Ministério Público Estadual (MPE), que abriu inquérito para apurar supostas irregularidades em um contrato de comodato entre a federação e a empresa Visa Empreendimentos Imobiliários.

O contrato foi firmado para duas reformas no valor total de R$ 1,3 milhão em um imóvel de propriedade de Yasmin Jamil Nadaf, irmã do ex-presidente da entidade, Pedro Nadaf.

O prédio, localizado na Avenida Lavapés, foi cedido gratuitamente para a instalação do Centro de Educação Profissional do Varejo do Senac. Com isso, o contrato de comodato foi ampliado para 10 anos com a anuência do então vice-presidente à época e atual presidente da instituição, Hermes Martins.

Outro lado - A assessoria de imprensa Fecomércio informou que, apesar da assembleia, o presidente Hermes Martins permanece no cargo, uma vez que a votação foi ilegal. Isto porque não obedeceu os procedimentos obrigatórios previstos no regimento interno da instituição.

Veja a íntegra da nota emitida:

Nota de esclarecimento

A Fecomércio vem a público informar que o presidente da entidade, Hermes Martins da Cunha, permanece no cargo. Na tarde desta quarta-feira (14/02), 7 dos 17 conselheiros da entidade, compareceram à sede da Fecomércio, acompanhados de advogados, solicitando a realização de uma assembleia extraordinária, que iria deliberar sobre um pedido de afastamento por 180 dias do atual presidente.

Ocorre que tal assembleia não poderia ser realizada, visto que, de acordo com o Estatuto da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso, no Art. 8, Inciso II, uma assembleia extraordinária, só poderia ocorrer, se no mínimo 2/3 dos conselheiros, ou seja, 12 dos 17 conselheiros, assinassem um requerimento, solicitando tal assembleia, o que não foi feito, em total desrespeito ao regimento estatutário.

Ainda assim, dois advogados que acompanhavam os sete conselheiros contrários à atual gestão, agiram com truculência, inclusive agredindo um funcionário e uma funcionária da entidade.

De maneira ainda ilegal, visto que não obedeceram os procedimentos obrigatórios previstos no regimento interno, sete conselheiros realizaram, na recepção da entidade, uma votação solicitando o afastamento do atual presidente, com base em suposições. A assessoria jurídica da Fecomércio-MT informa que já está tomando as providências legais, para atestar a ilegalidade da votação e consequentemente sua anulação.

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