Depoimentos confirmam ligação do escritório de Paulo Taques à EIG | Gazeta Digital

Terça, 06 de março de 2018, 23h58

Propinotudo no Detran

Depoimentos confirmam ligação do escritório de Paulo Taques à EIG

Gláucio Nogueira, repórter de A Gazeta


Otmar de Oliveira

Em depoimentos prestados à Polícia Civil e ao Ministério Público Estadual, dois investigados na Operação Bereré afirmaram terem ouvido de representantes da EIG Mercados Ltda (antiga FDL Serviços) que o escritório de advocacia que tem como um dos sócios o ex-secretário Paulo Taques seria o responsável por tratar de assuntos relacionados à empresa em Cuiabá.

A EIG está no centro da investigação que apura o pagamento de propina a diversas pessoas por conta de um contrato firmado com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MT). Taques nega ter advogado para a empresa.

No último dia 19, o empresário Roque Anildo Reinheimer, sócio da Santos Treinamento, empresa supostamente utilizada para o repasse da propina, foi ouvido pelos delegados e promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Reprodução

Trecho do depoimento que cita recomendação para procurar Paulo Taques, na Casa Civil

O episódio narrado por ele teria ocorrido em janeiro de 2015, quando a FDL parou de fazer os repasses à Santos Treinamento, segundo Roque após uma rescisão fraudulenta do contrato firmado entre elas. Ao procurar, em Brasília, o diretor da empresa, José Kobori, ele foi informado por uma pessoa que se identificou como advogado da companhia que eventuais prejuízos deveriam ser discutidos na Justiça e que “todos os assuntos relacionados à empresa FDL/EIG em Cuiabá fossem tratados no escritório de advocacia do chefe da Casa Civil, com o senhor Paulo Taques”.

Ao questionar como fazer para iniciar uma conversa com Taques, uma vez que não tinha nenhum documento indicando o escritório como representante da empresa, Roque teria recebido do representante da EIG uma procuração e substabelecimento em nome de Pedro Jorge Zamar Taques, irmão de Paulo. Roque teria procurado Paulo Taques na Casa Civil, mas, nas palavras dele, acabou sendo intimidado e decidiu ingressar na Justiça para anular o rompimento contratual.

Em outro depoimento, este prestado no dia 20 a Polícia Civil, outro investigado, Marcelo da Costa e Silva, relatou ter ouvido de Kobori, no final de 2014, que as questões administrativas e políticas ficariam com o diretor, uma vez que ele tinha estudado com Jorge Taques, irmão do ex-secretário, e que ele tinha sido advogado de Kobori em um processo de divórcio. As declarações de Kobori, para Marcelo, foram confirmadas quando ele descobriu a procuração, datada de 6 de outubro de 2014.

O processo movido por Roque para reverter a rescisão do contrato entre a EIG e a Santos Treinamento foi extinto após um acordo feito pelo irmão de Marcelo com Claudemir Pereira dos Santos, o “Grilo”, e que, após isso, chegou a protocolar uma denúncia, na Assembleia Legislativa, contra Marcelo, Paulo Taques e uma terceira pessoa.

Ex-secretário fala em tentativa de chantagem

Otmar de Oliveira

Paulo Taques voltou a negar vínculo com a empresa investigada pelo Gaeco e pela Defaz

O advogado e ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, afirmou ter sido vítima de uma tentativa de chantagem por parte do empresário Roque Anildo Reinheimer, um dos sócios da Santos Treinamento. O episódio teria ocorrido no interior da Casa Civil, em 2015. Taques voltou a negar que o escritório do qual é um dos sócios teria representado os interesses da EIG Mercados Ltda (antiga FDL Serviços).

Taques afirmou que foi abordado por Roque enquanto tomava café em uma padaria de Cuiabá. “Ele pediu para que eu o atendesse porque estava sendo injustiçado pelo governo”. Segundo ele, como fazia com qualquer pessoa que o procurava, o então secretário disse ter passado ao empresário o telefone da Casa Civil e indicou que marcasse uma audiência.

Reprodução

Dias depois, Roque teria dito ao secretário que estava sendo injustiçado por uma empresa que tinha um contrato firmado com o Departamento Estadual de Trânsito. “Disse a ele que procurasse um advogado, mas ele falou que o meu escritório advogava para a empresa e revelou o nome. Como sabia os nomes dos clientes com que o escritório mantinha contato, informei a ele que isso não era verdade, que nenhuma delas era ou foi cliente. Então ele tirou este substabelecimento e me apresentou”.

Segundo Taques, Roque então disse que, se não fosse ajudado, poderia prejudicar a gestão estadual com o documento. “Imediatamente chamei um delegado e quando ele chegou, acompanhado de outro delegado, disse a eles: ‘este senhor tem um documento em mãos e disse que pode prejudicar a minha vida e a do governador, se eu não atender o que ele quer. Para mim, estou sendo chantageado e queria que os senhores levassem esta pessoa’”.

Roque então teria sido conduzido pelos dois delegados. “Este é o fato, o que aconteceu depois não tenho conhecimento. Sobre uma procuração, ela não existe. Repito, nunca mantive nenhum tipo de contrato com a FDL ou EIG e esta empresa nunca foi cliente do escritório. Este substabelecimento, foi dado ao advogado Pedro Jorge, pelos advogados da FDL para tirar cópia de um processo de Cuiabá, do ano de 2012. No documento não há o meu nome”.

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