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Política de MT - A | + A

09.09.2018 | 09h13

Eles são o plano A, plano B e o plano C do agronegócio, afirma Aladir Leite

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João Vieira

Aladir Leite, candidato ao Senado pelo PPL

Candidato ao Senado pelo PPL, Alair Leite afirma que, se eleito, defenderá a revisão da Lei Kandir para que os grandes produtores rurais possam contribuir mais com o Estado. Sua proposta é que incentivos fiscais e financiamento através do BNDES sejam mais acessíveis para o pequeno e médio produtor. Na Rodada Gazeta de Entrevistas, ele se apresentou como o único candidato que não teria ligações com o agronegócio e criticou praticamente todos seus adversários. Confirma os principais trechos da entrevista.

Qual a principal proposta que o senhor defenderá no Senado?

Nossa principal proposta é defender o pequeno-médio produtor. Até hoje, nós tivemos um único senador que representava o pequeno médio produtor, que foi o finado Jonas Pinheiro (PFL). Essa vaga nunca mais foi ocupada. Nós não temos nenhum senador que representa o pequeno e, quando falo do pequeno-médio produtor, eu falo do produtor rural, diarista até o caminhoneiro. Nós queremos defender essa população menos favorecida, que representa 70% do PIB do país. Essa população é a geral dos estádios. Na arquibancada fica a geral e no camarote ficam os gigantes. Precisamos de um senador que tenha DNA do povo lá no Senado.

Mas qual é a proposta na prática?

Só no ano passado, o grupo do agronegócio abocanhou R$ 2,49 bilhões. Neste ano, está previsto mais de R$ 3 bilhões para esse setor. Aí está a sangria financeira. A Lei Kandir é que blinda o agronegócio. Nós iremos buscar, no Senado, mexer na Lei Kandir, para que façamos com que essa riqueza que o Estado tem possa beneficiar os pequenos. Esse é nosso objetivo. Essa categoria é partícipe do produto interno bruto do Estado e não recebe de volta os investimentos necessários.

O senhor está se referindo aos incentivos fiscais?

Na verdade, é a Lei Kandir que dá essa liberdade para o agronegócio receber esses incentivos. Eu vou mais além, nós temos um estudo do Tribunal de Contas da União que aponta que o grupo do agronegócio no país inteiro tem 30% de renúncia fiscal. Isso significa mais de R$ 335 bilhões. É muito dinheiro. É inadmissível a gente aceitar que apenas os grandes se beneficiem da riqueza que o Estado tem. Porque aqueles que são pequenos não estão se beneficiando em nada. Nossa candidatura vem preencher esse espaço, esse vácuo. O que vemos nesta disputa é que a maioria dos candidatos ao Senado são ligados ao agronegócio, dos latifundiários e das grandes oligarquias. Tem até o segmento do Judiciário. Por isso, queremos ocupar essa vaga para que essa categoria, do pequeno produtor, tenha realmente um senador que o represente.

A Lei Kandir beneficia o produtor na exportação. Eles são isentos no pagamento de impostos do que é importado, mas na prática não paga nem o que fica aqui...

É isso que temos que resolver. O agronegócio é beneficiado em tudo. Primeiro, nas terras que compraram a preço de banana. Segundo, tem facilidade de financiamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento). Depois, com seus projetos de grande agricultura no Estado, recebem os incentivos fiscais que eram para gerar empregos. E ainda tem a renúncia fiscal. É muito benefício para uma classe só. Nós queremos fazer com que essa riqueza que o Estado tem, chegue para os pequenos. Temos uma população que está passando dificuldades na cidade e no campo, com problemas na educação, na saúde, principalmente na saúde. Aí perguntam: onde está o dinheiro? Está nessa sangria. Ninguém falava em renúncia fiscal, ninguém mexia com o agronegócio. Agora tem outras candidaturas copiando nosso projeto. Inclusive, tem deputados federais que querem virar senador e passaram a visitar assentamentos. Cuidado pequeno produtor, só querem te enganar.

Mas os beneficiados da Lei Kandir alegam que não podem exportar impostos.

O agronegócio não quer perder nada e nem sair do poder. As três principais candidaturas para o governo são ligadas ao agronegócio. O governador Pedro Taques (PSDB) tem o vice do agronegócio, que é o Rui Prado (PSDB). Mauro Mendes (DEM), tem o vice [Otaviano Pivetta (PDT)] do agronegócio. Wellington Fagundes (PR), não tem o vice, mas tem o Adilton Sachetti (PRB), candidato ao Senado, que é do agronegócio. Essas três candidaturas são o plano A, plano B e plano C para se perpetuarem no poder, para beneficiarem eles mesmos. Mas acredito que a população já se cansou disso e apoiará a mudança. Nossa candidatura é o tostão contra o milhão, o Davi contra o Golias.

Como passar essa mensagem para o eleitor?

Não temos estrutura para viajar e competir com eles, mas estamos mexendo com o tabuleiro político, com as nossas propostas. Eles sentaram no poder e acham que são os donos. Nós estamos indo com a nossa campanha devagar, tranquilos, mas nós vamos chegar em 7 de outubro e vencer, porque, quando falamos que a população está desgostosa com a política, é com esses que estão aí e não com os novos. Tem candidato aí que está respondendo a nove processos. A população está atenta e irá responder nas urnas.
Então para o senhor os três candidatos que estão pontuando melhor nas pesquisas são iguais?

Com certeza. Estão todos combinados uns com os outros. É uma desvantagem enfrentá-los. As propagandas deles são hollywoodianas. São tudo farinha do mesmo saco, estão combinados. Essas briguinhas que saem é só na imprensa. Depois eles tomam uísque juntos, tomam cerveja juntos, comem churrasco junto.

E as outras candidaturas ao Senado?

Muita gente diz que eu só falo do Nilson Leitão (PSDB), mas o procurador Mauro (PSOL) também. Ele não é a última bolachinha do pacote. Você [procurador Mauro] diz que não coliga com ninguém, mas a imprensa já revelou seu acordo com o governador Pedro Taques (PSDB). Você era candidato a governador, depois, do nada, mudou para sair a Senador. Você que prega tanta moral, que não coliga com ninguém, mas você tem uma banda. Você canta sozinha? Toca sozinho? Então, não venha com essa de que não coliga com ninguém. Não coloca o PPL e Rede Sustentabilidade na vala comum. Não temos ninguém que responde processo. Melhor baixar a bola. Você está bem nas pesquisas, mas, cuidado, você já está aparecendo na mídia com ligações com a classe dominante. Tem também a candidatura da Maria Lúcia, do PCdoB, um partido histórico do país se unindo com a classe dominante. Ela poderia unir com a gente, estão na chapa do Wellington. A única candidatura realmente fora disso, que é orgânica, que não tem agrotóxico, é de Aladir.

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