Descartes existiu; Deus existe. | Gazeta Digital

Domingo, 13 de agosto de 2017, 00h00

Descartes existiu; Deus existe.

Gonçalo Antunes de Barros Neto


Na Primeira Meditação intitulada "Das Coisas que se Podem Colocar em Dúvida", Descartes pauta-se no estabelecimento da dúvida hiperbólica (radical), do dilema de um Deus enganador e do gênio maligno e ardiloso.

De início, Descartes exorta a todos a desfazer (mais adiante afirma em destruí-las) de todas as opiniões que, até então, se aceitava como verdadeiras, para começar desde os fundamentos, buscando estabelecer algo de firme e de constante nas ciências. Para o propósito, ressalva que assim se deve proceder em idade já madura, dada a maior aptidão para executar a empreitada.

Aplica o método em si próprio, encontrando-se em estado de solidão e maturidade, restando livre o seu espírito de todos os cuidados.

Ressalta o papel relevante da dúvida e que, se houver o menor motivo para tê-la, bastará para a rejeição de todas as coisas nessa quadra de pensamento. Se há dúvida, qualquer resultado não pode ser seriamente considerado.

Constata que falsas opiniões são tidas como verdadeiras e que princípios mal assegurados são, por natureza, duvidosos e incertos; chegando à compreensão de que é necessário, então, desfazer-se de todas as opiniões sedimentadas e começar tudo novamente, desde os fundamentos, para bem estabelecer as bases das ciências.

No entanto, apesar de os sentidos nos enganarem, às vezes há, inegavelmente, coisas indubitáveis, como o ato de nos situarmos em algum lugar, sentindo o corpo como sendo nosso, pois, ao contrário do que ocorre com os espíritos extravagantes, fracos, insensatos, que se tomam pelo que "não é", não se pode negar a existência de tudo que nos rodeia.

Considerando que assim o é, qualquer que fosse a origem do ser, ou o destino, ou a fatalidade, ou o acaso, ou até uma contínua série de conexão das coisas, quanto menos poderosa a fonte, tanto mais continuadamente imperfeita e falível seria.

Descartes inicia a Segunda Meditação afastando-se de tudo que poderia resultar em dúvida para encontrar algo de certo. Coloca todas as coisas "sub censura" (dúvida, mesmo) e questiona as coisas percebidas pelos sentidos.

Algumas ideias são derivadas do próprio eu ou da composição de figuras que aparecem ao sujeito e que poderiam ser materialmente falsas, isto é, não procederiam de nada existente.

Porém, a ideia de um Deus não poderia ser criada, sem contradição, por algo finito, a não ser que este fosse de fato infinito.

Logo, sua existência deve ser postulada, pois essa ideia teria de ser colocada no ser pensante por uma substância verdadeira e infinita. A realidade da substância infinita é comprovada pela própria imperfeição do ser pensante que duvida e, portanto, carece de perfeição.

Portanto, a ideia clara e distinta de Deus é inabalável e certa, sem falsidade material, pois, a ideia de Deus é verdadeira. O próprio ser pensante está contido nessa ideia, participando de alguma perfeição. Essa perfeição parcial permite o conhecimento do infinito por estar contido nele.

O corpo pode ter sua causa em outra causa material, mas o ser pensante só tem sua causa atribuída a Deus. O ser pensante adquiriu esta ideia no momento em que foi gerado e ela é a razão para um ser imperfeito supor a existência de outro perfeito.

Por isso, Deus não erraria, dando a entender que Ele e o ser pensante existam de fato.

Eis, então, como, de um modo totalmente diferente dos procedimentos do senso comum, Descartes, partindo da dúvida metódica, chega à concepção de alma e de um Deus existente e perfeito.

Deus existe..., e, se assim não pensares, o caminho está livre para, de forma séria e com o rigor científico necessário, se opor ao pai da ciência moderna.

Talvez devesse começar pela negativa: Deus não existe. Após as evidências serias e justificadas que achares, intuiria tão somente o tempo e o espaço, gastos, pois, o resto é vaidade.

É por aí...

Gonçalo Antunes de Barros Neto escreve aos domingos em A Gazeta (Email: antunesdebarros@hotmail.com).

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