Nem a favor, nem contra | Gazeta Digital

Quarta, 08 de novembro de 2017, 00h00

Nem a favor, nem contra

Neurozito Figueiredo Barbosa


Estou num mato sem coelho. Quanto mais eu leio, mais a confusão se instala em minha cabeça: "Será que eu acredito na ciência ou na religião?" A Lua nem sabe que é esse o seu nome, mas merece toda a nossa atenção com respeito à pesquisa, a crenças e a superstições. Mas existem controvérsias: enquanto a ciência diz que a Lua é nosso satélite artificial e que as manchas escuras que nela aparecem são acidentes do relevo, a igreja diz que aquilo é São Jorge montado no seu cavalo. Quando Josué pediu pra Deus fazer parar o Sol e a Lua porque ele precisava de claridade pra vencer a guerra contra os amorreus, não mais que de repente o Sol parou sobre Gibeão e a Lua sobre o vale do Aijalon. Então Josué eliminou todos os inimigos de Israel. Mas o Sol e a Lua pararam mesmo? A Ciência fala em Eclipse.

Na época da implantação do Cristianismo e por toda a Idade Média - conhecida também como a Idade das Trevas -, a melhor coisa a se fazer era ficar com o bico calado. Com base nas filosofias de Aristóteles e Cláudio Ptolomeu, no século II, dizia-se que nosso planeta era plano e que se você andasse alguns quilômetros a mais cairia num precipício e adeus. Era como diz hoje trecho de uma das nossas músicas populares: "... o buraco é fundo, acabou-se o mundo". Diziam também que o movimento da Terra era circular, que ela era o centro do sistema (Sistema Geocêntrico), com todos os planetas girando em torno dela. O pior é que ninguém podia falar o contrário, nem apresentar novas teorias, porque se o fizesse a Igreja mandava matar. Ela tinha pavor de teorias porque isso era contra os dogmas religiosos.

Mas com a evolução dos tempos e com base nos estudos científicos, já a partir de Aristarco de Samos e de Eratóstenes de Alexandria, seguidos de Nicolau Copérnico, de Galileu Galilei, de Johannes Kepler, de Isaac Newton, de Giordano Bruno, de Albert Einstein e muitos outros, foi-se provando que o Sol é o centro do nosso sistema (Sistema Heliocêntrico), que a Terra é redonda e não quadrada, que o seu movimento é elíptico e não circular, que os corpos maiores atraem os menores (Lei da Gravidade), além de descobrirem o pêndulo, a Inércia e a radioatividade. Quando Galileu comprovou o Sistema Heliocêntrico, de Copérnico, com a ajuda de potentes telescópios, a Igreja o chamou e disse: "Cara, trate de negar isso ou você vai pra fogueira". Galileu ficou todo arrepiado e negou, mas Giordano Bruno que também provou que o sistema realmente é Heliocêntrico, bateu pé e não voltou atrás. Ficou torradinho da silva, coitado!

De modos que essa briga é antiga e todos querem ter razão. Sobre o Grande Dilúvio, a religião fala que foi chuva forte que encheu o mundo todo de água. A ciência fala de um provável tsunami naquela região; sobre o Mar Vermelho, a Bíblia fala que o recuo se deu pela magia da vara de Moisés. A ciência fala em maré baixa. Sobre a arca de Noé a Bíblia sugere que ela está em algum ponto das montanhas Ararat, na Turquia. A ciência vasculha a área para ver se acha a tal arca. Será que ela existiu mesmo? E o que não falar da costela de Adão? Se Eva foi feita de uma costela de seu companheiro, então depois Adão coabitou com sua própria costela? Estranho!

Então, tem gente que só aparece na foto pra colocar lenha na fogueira. Esse tal de Nostradamus é um exemplo. Nada do que ele falou era direto: tudo era por conotação. Afinal Nostradamus, quando será o fim do mundo? A sua data já expirou, cara! Baba Venga, vidente búlgara, entre outras coisas, previu o fim do mundo para o ano 5079, a mudança da órbita da Terra em 2023 e o domínio do comunismo no mundo em 2076. Dolores Cannon, do Missouri, foi uma terapeuta de vidas passadas, mas também, não raro, arriscava prenunciar o futuro. Hoje existe até uma instituição de nome Sociedade Terra Plana, que tem adeptos principalmente nos EUA e na Inglaterra, que está retomando a discussão sobre a forma da Terra. É por isso que eu sempre digo: com tantas teorias e tantos dogmas, quem sou eu pra opinar? Estou mais pra ciência, mas prefiro me abster, ou seja: não sou a favor nem contra, muito pelo contrário.

Neurozito Figueiredo Barbosa é Mestre em Biodiversidade, professor universitário, escritor, músico, compositor e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

E-mail: neurobarbos@hotmail.com

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