Fora tudo | Gazeta Digital

Sábado, 11 de novembro de 2017, 00h00

Fora tudo

Rapphael Curvo


"Desse jeito vamos entregar a presidência para o Lula", palavras de um ministro de Estado do governo Temer. Parece nada, não é? Mas é muita coisa. Essa é a crença entre todos os políticos de que a justiça no Brasil não tem valor e muito menos respeito. Ao proferir tal frase, o ministro reforça, não só as intenções do patife petista, mas estimula a ideia de que podem tudo perante a lei e a justiça. Não acreditam que, apesar da legislação da "Ficha Limpa" impedir condenado a ser candidato, tem maior fé de que podem contornar a decisão condenatória e seguir alegremente seu caminho. Assim é o pensamento dos que participam da ilha dourada de Brasília, aqueles que dominam a política brasileira por décadas e fazem desta Nação o seu circo para as muitas palhaçadas que promovem às custas do dinheiro e do trabalho de milhões de brasileiros. Quando Lula assumiu a presidência falou em reforma política e tributária. Quando Dilma assumiu também falou a mesma coisa e o Michel Temer acompanhou tal fala com a pompa que lhe faz parte nesse "latifúndio" de mentiras e ilusões transmitidas por gigantesco marketing.

O que me deixa intrigado é ver a população, e com ela grandes "inteligências", acompanhar a ideia de que a permanência de Temer no governo é um antídoto às pretensões do chefe do bando petista, o Sr. Silva, um gatuno de extrema qualificação. Não conseguem abrir os olhos para ver que este senhor, o presidente de plantão, terá mais um ano e dois meses de governo e ainda acreditam que a economia irá se recuperar e o Brasil voltará aos tempos de pleno emprego. É muito tempo perdido, jogado fora. O marasmo que voltou a dominar a população em relação ao que estamos vivendo é, por deveras, gravíssimo. É uma demonstração do pensamento individualista de que "farinha pouca, meu pirão primeiro". Não existe um pensar coletivo de que se o Brasil afundar, estaremos abraçados a ele. Repetindo meu bisavô, em seu discurso em 1865, quando disse "esse povo que não se julga desgraçado na desgraça é porque ainda não experimentou melhor sorte". O nosso povo desconhece qualidade de vida e, por consequência, de políticos de qualidade, daí sua despreocupação em eleger candidatos desqualificados que hoje envergonham este país.

É muito triste esse espetáculo de horror político que hoje está em cartaz no Brasil. Um presidente que não se sustenta por sua personalidade e proposta de governo está à frente de uma das maiores nações do mundo em extensão e potencial de crescimento, mas tem suas riquezas exploradas e exportadas sem agregar valor por sua incapacidade tecnológica para tal. Estão aí como exemplo as commodities minerais e da agropecuária. Verdade seja dita, o Brasil mesmo sem governo, consegue se arrastar pela tenacidade do homem do campo e de alguns perdidos nas fumaças das indústrias. Malas de dinheiro dormindo em apartamentos e outras correndo pelas ruas, quilos de ouro e outros tantos de joias repousando no exterior, bancos internacionais abarrotados de dinheiro da corrupção e tudo isso não é motivo para decretar prisão de grupos de bandidos. O interessante é que, por essa razão, os bandoleiros estão se encorajando para provocar destruição de fazendas e outras balbúrdias pelo País todo. A justiça está temerosa de descumprir os acordos políticos das indicações dos seus membros. Permeia uma total insegurança jurídica porque está ficando claro que a justiça também faz parte do circo em que os políticos determinam o espetáculo a ser apresentado.

O grave é que o mundo evolui a passos largos, industrial e tecnologicamente. Na área da educação o fosso é gigantesco e é este setor que determina a evolução de um País, de um povo. Não se vê ninguém se levantar para contestar e buscar por uma séria reforma na educação brasileira, mas, aos milhões, vão às ruas por causa de 20 centavos no aumento dos transportes. Vão aos milhões às ruas pelo futebol e suas festanças, o leitor verá isso na Avenida Paulista e pelas ruas das cidades tão logo termine o campeonato nacional. Vão aos milhões às ruas pela liberdade e contra o preconceito sexual. Assim é o nosso Brasil, sem metas sérias de crescimento e evolução, com povo amorfo, destituído de caráter político, de união, de pensamento coletivo, medroso e, posso até imaginar, sem pátria. Essa é a razão de buscar por uma mudança, via uma ruptura com o que aí está posto na vida brasileira. Para mim, FORA TUDO.

Rapphael Curvo é jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós-graduado pela Cândido Mendes. E-mail: raphaelcurvo@hotmail.com

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