Esperança por dias melhores | Gazeta Digital

Quarta, 15 de novembro de 2017, 00h00

Editorial

Esperança por dias melhores

Da Editoria


Faltando menos de 50 dias para o fim de 2017, muitos brasileiros começam a tradicional temporada de balanços, e um dos itens analisados é a situação financeira. O ano que termina não foi positivo para os trabalhadores, uma vez que um contingente de 13 milhões de brasileiros ainda está fora do mercado de trabalho, em consequência da severa crise na qual o país está mergulhado e que aos poucos começa a nadar em direção à superfície. Para as empresas a situação também foi desconfortável.

Ainda está bem longe de a economia ganhar fôlego. Reformas foram elaboradas e aos poucos começam a ser implantadas na tentativa de reformular setores responsáveis por um grande rombo nas contas do governo federal. Uma delas é a trabalhista, que entrou em vigor no último sábado e que vai mexer com as relações de trabalho de agora em diante. Outro ponto bastante polêmico é a reforma da Previdência, cuja discussão foi retomada e tem previsão de ser aprovada ainda este ano no Congresso Nacional. O governo se esforça para isso e acredita que terá uma enorme economia com as alterações.

Na ponta da cadeia, os trabalhadores encontram-se desamparados e cheios de dúvidas. Primeiro porque nos últimos três anos perderam os empregos, desde os contratos mais recentes até aqueles em que o funcionário estava há duas ou três décadas na empresa. Ninguém foi poupado. A taxa de desemprego no país bateu recordes e milhares de pessoas se viram na obrigação de empreender, não por vocação, mas por necessidade, aumentando a informalidade no mercado de trabalho.

Mas, o fim de um ano e a chegada de um novo reacende a esperança nos trabalhadores, especialmente entre aqueles que conseguiram permanecer no mercado formal. Um dos ingredientes que ajudam a manter o otimismo e vai injetar um ânimo extra nas famílias é o pagamento do 13º salário. Estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o pagamento do abono natalino aos trabalhadores vai colocar cerca de R$ 200,5 bilhões na economia brasileira este ano, um crescimento de 4,7% se comparado ao ano passado - apesar da enorme quantidade de gente ainda desempregada.

Segundo a entidade, aproximadamente 83,3 milhões de brasileiros vão receber o 13º salário. O abono de Natal é pago para trabalhadores com carteira assinada, beneficiários da Previdência Social e aposentados e pensionistas da União, Estados e Municípios. A estimativa é que cada trabalhador receba, em média, R$ 2,250 mil. O levantamento não considera os trabalhadores autônomos e assalariados sem carteira assinada, que devem receber algum abono de fim de ano.

Com mais dinheiro circulando na praça, a onda de otimismo tem efeito cascata. Isso porque, o trabalhador que cortou gastos ao longo do ano vai poder comprar alguma coisa neste fim de ano, ou mesmo usar o dinheiro para pagar as contas que ficaram para trás em 2017, limpando o nome e ficando apto novamente às compras parceladas. Com essa perspectiva, o comerciante que passou boa parte do ano vendo a loja vazia retoma o sorriso e vai para a frente do estabelecimento atender pessoalmente a clientela, na tentativa de vender mais que o ano passado e colocar as contas também no azul. A indústria, que antevê o crescimento na demanda de fim de ano, se antecipou e produziu mais desde o início do 2º semestre, reforçando o estoque para atender os pedidos do comércio varejista. Sem contar a indústria alimentícia, que também aumenta a produção porque nesta época a demanda é historicamente maior.

E é assim que a economia começa a se movimentar e faz renascer no coração do trabalhador, do comerciante, do industrial e do produtor da matéria-prima a esperança de um ano melhor. É o desejo de todos os brasileiros.

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