Boca torta | Gazeta Digital

Quarta, 15 de novembro de 2017, 00h00

Boca torta

Renato Gomes Nery


Somos escravos do nosso ofício. É normal vermos o mundo sob os auspícios da ótica daquilo do que habitualmente fazemos. "É uma tendência do homem natural, que durante muito tempo repete, e repete as mesmas coisas no seu dia-a-dia ao ponto que elas de tornam-se hábitos difíceis de serem abandonados" (Gerson Palazzo O Uso do Cachimbo é que Entorta a Boca site - Internet).

Continua o mesmo Autor ....

"Conta-se que um pesquisador possuía um ratinho de laboratório que ficava girando uma roda dentro de uma gaiola. Durante muito tempo, aquele ratinho fora estimulado a girar aquela engenhoca, recebendo por esse esforço, ração e água.

Certo dia, aquele pesquisador atentando para aquele círculo quase vicioso que se tornara a vida daquele pequeno animal, encheu-se de genuína compaixão e resolveu libertar o ratinho. Abriu então a gaiola e tendo retirado o bichinho de sua rotina interminável, o levou para fora, no quintal, e libertou-o afinal.

O pesquisador notou que o pequeno animal observava o cenário novo, amplo e convidativo, todavia não se mexia para ir ao encontro de sua própria liberdade. Por diversas vezes, o pesquisador o tocou levemente a fim de estimular o ratinho a sair porta afora e ganha espaço no quintal. Mas o ratinho apenas dava pequenos passos e retornava para a posição anterior.

Então, mesmo consternado, o pesquisador tomou novamente o animalzinho e o colocou outra vez na gaiola. Imediatamente o ratinho do laboratório subiu na pequena plataforma e entrou naquela roda da engenhoca, e iniciou a correr, fazendo-a girar, e girar com aparente alegria".

Tudo isto é para dizer que somos servos dos nossos hábitos.

A Rússia, cujo presidente foi espião da KGB é acusada de espionar e intervir nas eleições dos EUA. Força do hábito?

No Estado de Mato Grosso, governado por um ex-procurador da República, membros da Polícia Militar são acusados de terem "grampeado" clandestinamente incontáveis telefones de membros da comunidade mato-grossense. E isto tem provocado uma confusão homérica que resultou em prisões e indisposição entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário.

E a última notícia é que o (s) inquérito (s) dos fatos relatados ficaram a cargo do STJ, em função do foro privilegiado do governador, que revogou as prisões e onde certamente não se resolverá nada por conta da inércia da prerrogativa de foro. É o Brasil!

Se tudo aqui relatado não for coincidência, prevalece a sabedoria do ditado popular: "o uso do cachimbo é que entorta a boca". É curiosa a afirmação do governador: "Eu saí do Ministério Público, mas o Ministério Público não saiu de mim" (Site Olhar Jurídico 07.03.15).

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail rgnery@terra.com.br

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