Além dos números | Gazeta Digital

Sexta, 17 de novembro de 2017, 00h00

Editorial

Além dos números

Da Editoria


Medir as consequências de uma crise não é apenas uma questão numérica. Nas últimas semanas, a equipe econômica do governo do Estado tem explicado quase que diariamente sobre a frustração de receitas, fluxo de caixa e demais expressões técnicas sobre os problemas orçamentários. De acordo com a Secretaria de Fazenda, em 2017 deixaram de entrar nos cofres de Mato Grosso R$ 1,7 bilhão, devido à baixa arrecadação e à falta de repasses federais importantes para sanear as contas públicas. Pois bem, na vida prática do mato-grossense pouco importa saber sobre milhões e bilhões, até porque isso não faz parte de sua realidade. O que faz a diferença é saber se há vagas nos hospitais, médicos atendendo e medicamentos suficientes para a população. A Saúde, obviamente, é a ponta do iceberg. É onde os maiores dramas ocorrem, uma vez que problemas financeiros nessas unidades costumam afetar dura e diretamente quem mais precisa do respaldo estatal, uma vez que vidas estão em jogo. Mas a falta de dinheiro causa uma série de consequências nefastas em outras áreas não menos essenciais. Longe dos olhos da sociedade, por exemplo, o sistema penitenciário continua a viver dias de tensão, a famosa bomba-relógio que pode explodir e espalhar seus estilhaços por toda a Segurança Pública. No espaço de uma semana, duas fugas em massa foram registradas em Mato Grosso, a mais recente delas em Poconé, durante o feriado de quarta-feira. A pequena cadeia, com capacidade para abrigar 30 presos, estava superlotada com 85. E apenas 2 agentes para cuidar da segurança. Na prática, apenas um, visto que o outro cumpria serviço administrativo. Não é preciso falar que falta estrutura, falta efetivo e faltam mais presídios em Mato Grosso. O Estado é um dos poucos onde a facção carioca Comando Vermelho é dominante sobre a massa carcerária, embora o Primeiro Comando da Capital também se faça presente.

A impressão que se tem é que todo o sistema está vulnerável. E basta que os bandidos tenham o mínimo de vontade e organização para instaurar o terror novamente por aí, algo que praticamente já ocorre, pois boa parte das ordens para ações criminosas parte de dentro das unidades prisionais. A crise chegou a tal ponto que o Estado hoje depende fundamentalmente de repasses extras da União e da aprovação da PEC do Teto para que tenha fôlego para retomar o controle do barco e seguir em mares mais calmos. Ao menos, que consiga em médio prazo investir em melhorias nas áreas sociais e evitar que a situação fuja do controle, seja na Saúde, Educação, Segurança Pública, etc. Para isso, será necessário um equilíbrio gerencial perfeito, com ajuste fino, para que a máquina pública combata os gastos desnecessários, se enquadre na Lei de Responsabilidade Fiscal e ainda tenha condições de não relegar ao desamparo as áreas que precisam de maior atenção. O temor é de que haja um "congelamento" das despesas e que isso afete ainda mais a vida do cidadão comum. É melhor ver a questão pelo lado positivo e esperar que o controle racional das finanças se traduza numa gestão mais consciente e justa dos recursos públicos, sem cobrir um lado para descobrir o outro. Mato Grosso não está em situação desesperadora, como é rotina em outros estados considerados ricos. E que continue assim!

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