Desastres naturais e prevenção | Gazeta Digital

Sábado, 18 de novembro de 2017, 00h00

Editorial

Desastres naturais e prevenção

Da Editoria


Com o objetivo maior de minimizar tragédias e reduzir o número de vítimas, a Defesa Civil nacional está implantando aos poucos, em todo o país, um sistema de alertas de desastres naturais por celular. Por meio dele a população pode cadastrar sua linha telefônica para receber mensagens sobre riscos de tempestades, raios, enchentes, deslizamentos e outras emergências de verão que costumam parar nas manchetes nesta época do ano. O modelo já está ativo no Paraná, Santa Catarina e São Paulo e deve alcançar todos os estados até março de 2018. Vale ressaltar que o serviço é gratuito.

Ao falar em desastres naturais, como não lembrar dos deslizamentos de terra em 2011 que mataram mais de 900 pessoas e deixaram 35 mil desalojadas na região serrana do Rio de Janeiro, uma das maiores tragédias vistas no país nos últimos tempos. E se o Brasil está fora da rota de furacões e tsunamis, não escapa das tempestades e enchentes que trazem consigo uma sequência de destruição e perdas que ultrapassam os bens materiais e atingem centenas de vidas humanas.

Sem o mesmo alarde e clima de comoção, mais recentemente as populações dos estados de Pernambuco e Alagoas se viram, de um dia para o outro, de vítimas da seca a vítimas das enchentes. Os governos, que antes haviam detectado estado de emergência por conta da falta de chuvas, incluíram muitos municípios na lista de necessitados de ajuda do governo federal por conta das chuvas intensas que caíram no mês de junho e deixaram mais de 85 mil desabrigados nos dois estados.

Segundo cientistas, a quantidade e intensidade das tempestades de grandes proporções registradas este ano estão acima da média anual. E não se trata apenas de furacões como o Irma que, em setembro, atingiu o Caribe e os Estados Unidos deixando um rastro de morte e destruição. Fala-se também de chuvas torrenciais e ininterruptas, ventos fortes e granizo que também provocam sérios danos. Entre as causas para o aumento da força desses fenômenos, talvez a principal delas, está o aquecimento global.

Na outra ponta dessa questão estão as comunidades mais vulneráveis, sempre as mais ameaçadas e impactadas por estes desastres naturais. O Brasil, por ser um país de tamanho continental, está exposto a uma grande diversidade de eventos naturais extremos que atingem, com igual intensidade, moradores das diversas regiões. Esse é um grande desafio para os governos, não apenas antecipar o aviso de tragédias, mas também evitá-las. Desastres trazem custos e perdas e são profundamente impactantes na economia de um país.

Crescimento desordenado das cidades e a falta de planejamento urbano, dois fatores que estão na origem do problema, pedem um planejamento a longo prazo por parte das autoridades. Prevenir é mais barato que remediar e essa prevenção não se resume apenas a avisar a população que o pior está vindo. Experiências em países que já passaram por situação semelhante e estão a muitos passos à frente também podem ser compartilhadas. Nesta época de chuvas que se aproxima, é de se perguntar quanto tempo mais será necessário esperar até que a próxima tragédia ocorra?

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