O risco da escova extra macia | Gazeta Digital

Sábado, 18 de novembro de 2017, 00h00

O risco da escova extra macia

Leonardo Caporossi


O Brasil é o país com maior número de dentistas no mundo, são mais de 260 mil conforme Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em 2013, e mesmo com tantos profissionais à disposição, menos da metade da população costuma fazer consultas anualmente. Outro dado alarmante é que mais de 58% da população não faz uso correto da escova de dentes e do fio dental.

As escovas de dentes são ferramentas imprescindíveis para a manutenção da saúde bucal e voltaram a ser protagonistas em estilo, sendo fabricadas com diferentes design, dureza e quantidade de cerdas, diferindo em suas indicações. Escovas macias são diferentes de escovas extra macias, tendo suas indicações de maneira individualizada.

Apesar de estarem "na moda", nem sempre as escovas consideradas extra macias - modelo curaprox, por exemplo - são as mais indicadas para todos os pacientes, pois elas removem menos placas. A problemática é que em pessoas com deficiência na capacidade de remoção de placas, o uso de escovas com menor poder de ação fará com que acumule uma quantidade maior de placa, podendo gerar problemas inflamatórios da gengiva. O uso desse tipo de escova deve se limitar a pacientes em pós-operatório odontológico ou que possuem força demasiada na escovação.

Os estudos mostram que as escovas macias são capazes de remover placas de forma suficiente para manter a saúde gengival, além de prevenir os traumas gengivais da escovação, sendo a mais indicada para a maioria das pessoas.

Então, antes de investir altos valores, fale com um bom profissional na área de odontologia e compre aquela que mais se adequa à sua necessidade. Outra recomendação importante é a troca da escova no mínimo a cada três meses de uso, quando começam a haver desgastes nas cerdas. Alguns modelos até possuem marcações que indicam o momento ideal da troca.

Além de priorizar a higiene, a saúde da boca depende de bons hábitos de vida. Muitas doenças, como as periodontais, surgem por falta de ações cotidianas simples e tem o seu desenvolvimento mais acelerado em pessoas com diabetes e em tabagistas.

Talvez você acredite que desenvolver uma doença periodontal está muito distante da sua realidade, correto? Mas não está. Fique atento, pois um dos indícios dela é quando a gengiva sangra durante a escovação ou com o uso de fio dental.

Aliás, esse pode ser o início de um problema significativo muitas vezes ignorado. Acontece, que, quando já está em estágio avançada, a inflamação na gengiva pode gerar perda de tecido ósseo, fazendo com que os dentes fiquem com mobilidade, ou seja, corre-se o risco de perdê-los!

De todo jeito, é importante lembrar que o utensílio não fará milagres e, por isso, precisa ser usado da forma certa. Você poderá ter uma escova de último lançamento, mas se não souber usar, ou até mesmo fazer uma escovação correta, a higiene não será eficiente. Boa parte do resultado também depende de você e da forma como realiza a sua escovação. Lembre-se sempre que a boca, além de o cartão-postal do rosto, pode ser fonte de doenças graves.

Leonardo Caporossi, cirurgião dentista, especialista em implantes, mestre em Periodontia, doutorando em Odontologia, professor universitário

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