Orgulho gay | Gazeta Digital

Sábado, 18 de novembro de 2017, 00h00

Luiz Henrique Lima

Orgulho gay

Luiz Henrique Lima


Tenho um irmão homossexual. Não sinto e nunca senti vergonha por isso e nem dele. Ao contrário, eu o amo, bem como aos meus dois outros irmãos. E tenho é orgulho dele.

Orgulho do ser humano que é, de sua integridade, maturidade e coragem. De sua inteligência e sucesso profissional. De vê-lo querido pelos seus próximos e respeitado por todos que o conhecem.

Teria vergonha se fosse um larápio e estivesse envolvido em falcatruas. Teria vergonha se fosse um machão agressor de mulheres, um valentão que abusa dos mais fracos, um beberrão que não controla seus modos, um riquinho esnobe que se consome em futilidades ou um chefete empertigado que humilha os funcionários. Teria vergonha se fosse um racista ou um fascista enrustido, desses que fazem apologia de torturadores ou vivem choramingando pela volta da ditadura. Aí sim, seria um mau exemplo e uma péssima influência para os meus filhos e sobrinhos.

Tenho visto, ouvido e lido muita bobagem preconceituosa contra homossexuais. Em busca de audiência ou popularidade, há quem apele, literalmente, para a ignorância, difundindo boatos e apregoando lendas que induzem à construção de estereótipos e a um juízo condenatório sumário das pessoas, unicamente com base na sua opção sexual. Isso me incomoda.

Não especificamente pelo meu irmão ou por outros amigos e colegas de trabalho homossexuais com quem tenho prazer em conviver. Mas porque a história ensina que não se deve subestimar o poder da ignorância quando se alia ao preconceito.

O ingrediente mais explosivo dessa mistura é a intolerância e o fanatismo religiosos, fundamentados numa leitura rasa e literal das escrituras. Seu produto é a discriminação, a violência e o sofrimento. Quantas milhões de pessoas carregam profundas cicatrizes físicas e psicológicas em virtude da incompreensão, do desrespeito e das agressões abertas ou veladas sofridas no ambiente familiar, escolar ou profissional? Quantas pessoas tiveram suas carreiras podadas ou quantas renunciaram ao direito de buscar a felicidade amorosa porque foram sufocadas pela repressão diária, constante, insaciável, implacável? Toda essa violência ajudou a Terra a aproximar-se um milímetro do paraíso?

Jesus Cristo, nosso Mestre, nunca julgou ou condenou ninguém pelo seu comportamento sexual. Ao contrário, tratou as prostitutas com imenso respeito e carinho. Absolveu a mulher adúltera e envergonhou seus acusadores, prestes a apedrejá-la: "Atire a primeira pedra aquele que nunca pecou". A todos, ensinou a caridade e o amor ao próximo.

Amo meu irmão homossexual. E respeito a sua opção. Sei que é a melhor para ele e que a ninguém faz mal. Tenho orgulho do meu irmão gay. E tenho muita pena da miséria intelectual e moral de quem discrimina as pessoas por sua opção sexual. São pessoas inseguras quanto às suas próprias fantasias e fobias íntimas. A violência do discurso homofóbico revela uma angustiada tentativa de reprimir desejos inconfessáveis. Além disso, a mensagem do ódio e da exclusão sempre rende alguma atenção para o proselitismo religioso e/ou político de líderes ambiciosos e inescrupulosos. Hitler perseguiu os homossexuais, assim como Fidel Castro. Ambos têm admiradores e aprendizes na vida pública brasileira. Logo serão esquecidos e desaparecerão em algum esgoto secundário.

Sonho com o dia em que as pessoas sejam respeitadas em suas opções mais íntimas e sejam julgadas apenas pelo bem que praticam ou que deixam de fazer.

Luiz Henrique Lima é Conselheiro Substituto do TCE-MT.

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