Radicalismos da política | Gazeta Digital

Quarta, 22 de novembro de 2017, 00h00

Radicalismos da política

Antonio Sebastião da Silva


Possível acreditar que entramos em uma nova fase da globalização, dentre várias etapas que consolidam a formação da aldeia global, resgatando as ideias do pensador canadense Marshall McLuhan, para quem a sociedade vive em um planeta que se encolheu, devido às novas tecnologias da informação. A comunicação on-line, realmente modifica a estrutura da arquitetura social, como parece, sem, contudo, promover transformação efetiva nas relações humanas, ainda que culturas se misturem em todas as territorialidades, mantendo a tradicional ordem do sistema de poder político.

Nos anos recentes, os países que defenderam a globalização de mercadorias, com uma volumosa produção industrial, decidiram-se que a melhor maneira de evitar a perda do ordenamento econômico é levantar barreira para estabelecer um radical nacionalismo conservador, como ocorre com os Estados Unidos, o principal jogador das economias liberais. Além de países da Europa, que refazem sua política global.

Como um império não se assegura no poder eternamente, a perda de espaço leva as nações, com seus líderes políticos, a tomarem decisões na manutenção da ordem vigente. As eleições nos grandes centros econômicos refletem o apoio aos novos mandatários que fecham a economia e os limites do Estado, a fim de preservar empregos, riquezas, valores e qualidade de vida para os nacionalistas. No entanto, o aperto à restrição na política mundial faz emergir, com radicalidade, a imigração como apresentado pelas mídias mundo afora.

O mercado continua fluído sem fronteiras, mas as pessoas, mais ainda, passam a ter limites territoriais, fazendo emergir uma guerra silenciosa na periferia da aldeia.

Se em algum momento participar efetivamente do modelo global de mercado fosse uma alternativa dos países subdesenvolvidos, na dependência de mercados internacionalizados, na atualidade se mostra indispensável tal medida, porém se esbarra com a elevação das restrições dos países centrais. O discurso que deixar transparecer é o da defesa de empregos para os nativos, por isso a construção de muros físicos e imaginários protegidos para impedir a divisão do capital com estrangeiros.

No movimento da reorganização da globalização, neste instante, estão os seus tradicionais idealizadores da década de 90, com protagonismo da Inglaterra, o berço do neoliberalismo para precarização radical do trabalho.

No Brasil, que também entra em uma nova fase política, com o governo de Michel Temer, define-se por mais abertura do mercado nacional, com venda de empresas públicas, redução de barreiras comerciais com centros econômicos, elevando o liberalismo às alturas, porém, restringindo-se às transações prioritariamente as chamadas commodities. Assim, na esteira do agronegócio, em detrimento da alavancagem da indústria de transformação e tecnologia.

Aos países como o Brasil, restam o entendimento da necessária de integração regional para o próprio desenvolvimento econômico e social. No entanto, a mesma política que emergiu na divisão dos países na América Latina, por séculos, continua imperando nas negociações no subterrâneo, longe das publicações midiática, na dependência efetiva de algumas nações regionais dos centros políticos globais.

China, Rússia e Índia tornam o sistema econômico mais complexo e mais competitivo o que resulta numa política de fortes batalhas pelo poder. Neste sentido, a política do desarranjo regionais, como estratégia amplia os conflitos, tornando-os perenes.

Na América Latina está cada vez mais visível e eternizada a guerra de discursos entre os socialistas (Venezuela, Equador, Bolívia) versus os globalizantes (Brasil, Chile, Colômbia e agora, de fato, a Argentina). O Mercosul, que nasceu sem consenso está na realidade acéfalo, depois das várias disputas, com destaque para os dois últimos anos, equivocadamente.

A efetivação do nacionalismo radical que emerge nos países de economia hegemônica, paradoxalmente, se mostra jogada política para estabelecer mais limites em um mundo sem fronteiras para o setor financeiro e produção, com mais exploração do trabalho degradante interna e externamente, apesar da tecnologia.

Nesta etapa da globalização falta mais política para integração regional na América Latina, bem como diálogo para consenso internacional, com menos desigualdade social na aldeia global.

Antonio Sebastião da Silva é doutor pela Universidade de Brasília (UnB), mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e professor pela Universidade de Mato Grosso (UFMT).

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