O que resta para fazer em 2017 | Gazeta Digital

Quinta, 23 de novembro de 2017, 00h00

Editorial

O que resta para fazer em 2017

Da Editoria


Nova fase da Lava Jato é deflagrada nacionalmente e mais políticos presos. Em Mato Grosso, os políticos presos já foram soltos. Aqui, a Polícia "caça" assassinos que deixaram a prisão por "erro no sistema" e que voltaram a matar. "Caçam" homicidas e estupradores. Tentam conter a facção criminosa Comando Vermelho de Mato Grosso, que lidera a grande maioria dos crimes de dentro dos presídios. Os políticos, por enquanto, parece que terão um pouco de trégua em relação às grades.

No meio deste turbilhão de violência e roubos descobertos, surge a pergunta, será que ainda dá tempo de fazer alguma coisa que possa mudar o rumo deste país este ano?

Sempre há. Não de uma hora para outra, é claro. Não da noite para o dia e não definitivamente. Mas se a verdade continuar vindo à tona, se a Justiça não se furtar em aplicar as penas merecidas, e os políticos não interferirem em prol de seus colegas, pode ser que as mudanças apareçam.

Um dos grandes problemas do país que precisa ser vencido para que as mudanças deem certo é também um dos pecados capitais. Trata-se da ganância, aquela que faz o ser humano querer tudo para si mesmo, de forma exagerada. É aquele desejo excessivo por dinheiro, por poder, e para tê-lo, a pessoa é capaz de tudo, até de cometer outros pecados.

Na outra mão, em sentido contrário, temos a generosidade. Totalmente contrária à ganância, a generosidade pensa no bem coletivo, doa, às vezes mais do que pode. A generosidade é aquele sentimento de fazer o próximo feliz, nem que seja por um instante.

Colocando na balança, quantos gananciosos e quantos generosos conhecemos, provavelmente a maioria terá a balança mais pesada para o lado da ganância. Afinal, fazer uma doação para uma família no final de ano não lhe dá o título de generoso. Ajuda uma família, talvez por um dia ou mais, só que se é ganancioso, todas as atitudes más voltarão a ser cometidas.

A ganância torna as pessoas cegas e muitas vezes não percebem as que estão ao lado. Ela faz com que o ser humano acredite no que quer acreditar para conquistar seu objetivo, derrubar quem for necessário, eliminar o que aparece como obstáculo. Tudo isso em casa, na escola ou na empresa que trabalha.

E este é justamente o retrato da maioria de nossos políticos. Gananciosos, preocupam-se mais com eles mesmos do que com a sociedade. Fazem discursos belíssimos, sedutores, mas na prática não cumprem com as promessas.

Para quem quer ter acesso garantido ao Sistema Único de Saúde, ao ensino público de qualidade, à segurança, precisa voltar a lutar. Se acredita que não dá mais tempo este ano, está muito enganado. Não há tempo certo para lutar pelos nossos direitos. A hora de começar é agora, por tempo indeterminado.

O cidadão de bem precisa saber cobrar mais. Dentro de um hospital, alojado em um corredor, com risco de pegar uma infecção ou até ter remédios trocados, o paciente deve exigir o prontuário antes de tomar a medicação e, mais do que isso, exigir uma acomodação digna. O paciente não tem culpa se há uma demanda do interior. O paciente tem que ser bem assistido na hora que mais precisa, tem que ter segurança para ir trabalhar e voltar para casa e ter educação para poder progredir na vida.

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