Pane no sistema | Gazeta Digital

Sexta, 24 de novembro de 2017, 00h00

Editorial

Pane no sistema

Da Editoria


A tecnologia é sem dúvida uma aliada. Sobretudo no mundo corporativo, nas empresas, na economia como um todo e também no meio social, pois facilita a interação entre dados e pessoas. Em verdade, praticamente todo o globo está conectado às facilidades da internet e os smartphones são os maiores símbolos dessa era de informações aceleradas e disponíveis em diversas plataformas. Se todo esse poderio tecnológico funciona bem até para diversão e coisas fúteis, porque deixaria a desejar justamente nas áreas em que falhas não são permitidas?

Esta é a pergunta que se faz quando se lê uma notícia como a de que o criminoso Kelves Gonçalves da Silva, que participou do sequestro da empresária Milene Eubank e atirou no rosto do policial Sidney Ribeiro, anda à solta por aí mesmo sendo condenado a 18 anos por homicídio. E a razão dessa distorção inexplicável é a falta de integração de dados entre o Poder Judiciário e o sistema penitenciário do Estado.

Milhões são gastos pelas instituições todos os anos em desenvolvimento e melhoria de sistemas digitais e a maioria dos tribunais brasileiros já conta há um bom tempo com processos virtuais. Ou seja, a tecnologia é uma realidade razoavelmente consolidada em órgãos e poderes e, justamente por isso, fica difícil imaginar que comunicações simples como a de condenação de um criminoso de alta periculosidade não estejam disponíveis. Kelven está livre desde agosto deste ano, após cumprir pena por outros crimes, como tráfico de drogas. Não constava no Banco Nacional de Mandados de Prisão, do Conselho Nacional de Justiça, a informação de que ele já havia sido sentenciado pela justiça por matar um homem em 2011. O crime, detalhado na reportagem do jornal A Gazeta publicada na edição de quinta-feira, foi executado com extrema violência e crueldade. A vítima foi espancada e esfaqueada por Kelven e comparsas.

Outro caso ainda mais impressionante foi o que envolveu o Wellington de Amorim, que assassinou a ex-companheira Dineia Rosa, em maio deste ano. Ele já havia matado a primeira esposa e agredira Dineia, por isso havia um mandado de prisão decretado contra si. Mas estava livre para matar, também porque aparentemente esse básico histórico criminal do rapaz não constava no sistema. Quando se fala em sistema prisional, cumprimento de penas e impunidade no país há uma série de buracos. A ineficiência se origina exatamente na debilidade das leis penais, desatualizadas e permissivas, que dificilmente fazem a justiça que as vítimas esperam. Um criminoso perigoso como Kelven em poucos anos estará novamente nas ruas, pois não cumprirá integralmente os 18 anos do homicídio que cometeu. A discussão sobre os processos de ressocialização no Brasil é longa e complexa, pois parte do princípio de que os presídios teoricamente não são depósitos de humanos rejeitados pela sociedade e que os detentos podem posteriormente ser reinseridos ao convívio social. Mas essa meta é quase utópica por aqui. A impressão que se dá, em linhas gerais, é que bandidos, mesmo os mais violentos, sempre têm mais chance de voltar À criminalidade do que de se regenerar algum dia.

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