Peguem leve, tão reparando! | Gazeta Digital

Sábado, 25 de novembro de 2017, 00h00

Peguem leve, tão reparando!

Jairo Pitolé Sant"Ana


(Michel) Temer, embora debaixo de seus 3% de aprovação popular, consegue, por meio de subterfúgios capazes de corar até mesmo Al Capone, se este fosse vivo, e reforçar ao mundo a imagem de um Brasil republiqueta de bananas, ir se mantendo na Presidência da República. Consegue, porque, como velha raposa política, é esperto e conhece bem seus pares e a sociedade que o avaliza.

Tem a caneta, a chave do cofre e sabe com usá-los. Como Sarney há 40 anos, quando conseguiu que o Congresso prorrogasse seu mandato em mais um ano (de quatro para cinco), Temer utiliza seus "atributos", sabendo que, apesar de lidar com dinheiro público, quase nada o incomodará (enquanto tiver, principalmente, os dois itens ali na primeira linha deste parágrafo). E assim vem fazendo.

Escapou de ser investigado pelo STF com tantas concessões, que o seu ministro das finanças foi obrigado a rever o ajuste fiscal tão cantado em prosa e verso como tábua de salvação. Agora, a caneta se volta para a reforma da previdência, cujo mérito é cobrar a conta de quem não deve e deixar os devedores, (R$ 480 bilhões) rindo de orelha a orelha por morar num país onde tudo lhes é concedido de mãos beijadas. Segundo leio nos jornais, 17 dos 28 ministérios serão trocados. Um dos mais cobiçados é o das Cidades, por causa do Minha Casa, Minha Vida, um ímã de votos.

Mas tá dando muito na pinta. Pelo menos fora do país. Até o Banco Mundial, conhecido por suas posições conservadoras, já reparou. O relatório Um ajuste justo, uma análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil, divulgado nesta semana, não só alerta que "alguns" programas beneficiam mais os ricos que os pobres como ressalta que os salários dos servidores públicos federais são, em média, superiores ao do setor privado, fugindo aos padrões internacionais. Tais privilégios os tornam o quinto setor mais rico da população.

Apesar da redução dos gastos públicos ser a receita básica da instituição (a dívida pública aumentou de 51,5%, em 2012, para 73% neste ano), no caso brasileiro a restauração do equilíbrio fiscal passa por baixar os juros para pagamento da dívida pública, por aumentar os impostos sobre patrimônio e ganhos de capital e reduzir a sobrecarga aos mais pobres.

Como, neste momento, o quadro é totalmente o reverso proposto pelo estudo, continuamos regredindo. Daqui a pouco estaremos dormindo em berço esplêndido, no útero, da civilização. Ô dó!

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá, sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. Email coxipoassessoria@gmail.com ð

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