Agressor e vítima a pedir socorro | Gazeta Digital

Terça, 28 de novembro de 2017, 00h00

Editorial

Agressor e vítima a pedir socorro

Da Editoria


Quando o assunto é o comportamento humano, tudo o que é tendência pode se tornar senso comum muito mais rápido do que se imagina ou prevê. Ainda mais quando estão pareados nessa história, jovens e internet. O que se tem assistido de insanidade na rede mundial tem deixado não só os especialistas e pesquisadores em estado de alerta com as atenções voltadas para as mensagens que estão por trás de cada postagem.
A nova tendência entre adolescentes americanos que vem preocupando profissionais da área e que se une à chamada mutilação virtual - como o jogo da baleia ou o do bordado - com desfechos trágicos em inúmeros casos, é a prática de postar, enviar ou compartilhar de forma anônima, mensagem destrutivas e abusivas sobre si mesmo.
Uma pesquisa recém divulgada pela revista científica Journal of Adolescent Health, realizada com 5.593 estudantes do ensino fundamental e médio nos Estados Unidos, entre 12 e 17 anos, revelou que um em cada 20 alunos já praticou o chamado auto-cyberbullying ou a automutilação digital.
A preocupação entre os especialistas da área é muito grande, porque enxergam nessa atitude, assim como nos jogos de mutilação física propostos via internet, um grave pedido de socorro. O resultado do estudo surpreendeu os próprios pesquisadores que esperavam como resultado algo em torno de 1%. Mas o que viram foi o índice girar de 5% a 6%.
Perguntados sobre os motivos que os levavam a assumir uma identidade falsa para a partir de então praticarem o auto-cyberbulling, eles citaram entre outros, a baixa autoestima, depressão, desejo de despertar reação nos outros e busca de atenção. Chega a soar como um roteiro de ficção, um pedido solitário de socorro chegando dessa maneira, de forma tão sofrida e incontrolável.
Chega a doer na alma, constatar o quanto as famílias estão fragilizadas, o quanto pais e filhos estão distantes e o quanto a sociedade se mantém de olhos fechados para os reais problemas de seus adolescentes e jovens.
Embora o estudo tenha sido feito nos Estados Unidos, não é uma realidade exclusiva dos americanos. A solidão enfrentada por crianças, adolescentes e jovens em todos os lugares tem resultado em ações desesperadoras, como o suicídio.
Os pedidos de socorro de nossos tutelados, sejam família ou não, estão nos chegando das mais variadas formas e precisamos nos manter atentos e vigilantes. Em um dos trágicos desfechos de auto-cyberbulling, resultando no suicídio de uma adolescente americana de 15 anos, a polícia descobriu que frases como : ‘você é feia e deve-se matar’, foram postadas pela própria garota.
É hora de cada um de nós voltar sua atenção e entender que esse tipo de sofrimento é real, é do nosso tempo, não acontece só em outros países, nas grandes metrópoles ou na casa do vizinho. A dor da alma, a solidão, a depressão e a falta de amor podem estar no quarto ao lado, ‘aparentemente distraído’ em frente a um computador.
A hora do recreio acabou!
 

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