Pesquisas retratam realidade | Gazeta Digital

Quinta, 30 de novembro de 2017, 00h30

Editorial

Pesquisas retratam realidade

Da Editoria


Pesquisas, pesquisas e mais pesquisas mostram que chegamos ao fim de mais um ano com poucas mudanças, que na prática ainda não refletem no dia a dia dos assalariados, muito menos na vida de quem nem sabe mais quanto é um salário mínimo. Mato Grosso tem cerca de 620 mil pessoas vivendo em situação de pobreza. Deste total, cerca de 111 mil pessoas vivem em extrema pobreza. As diferenças continuam extremas e acontecem entre gênero, raça e cor. O racismo contra negros sempre foi escancarado, embora a maioria dos racistas tente negar. Agora o preconceito em relação ao gênero parece ganhar mais força a cada dia, assim como o preconceito religioso.

As mulheres continuam tendo menos espaço no mercado de trabalho e recebendo cerca de 20% a menos que os homens. Cor e raça também continuam pesando na hora do pagamento e chegam a influenciar em até 30% a menos para as pessoas pretas e pardas. Isso num país onde a população cresce e cresce também o número de pardos autodeclarados em 6,6% e o de pretos em 14,9%, chegando a 95,9 milhões e 16,8 milhões, respectivamente. Enquanto isso, o número dos que se declaravam brancos teve uma redução de 1,8%, totalizando 90,9 milhões. Nas pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a cor dos moradores é definida por autodeclaração, ou seja, o próprio entrevistado escolhe uma das cinco opções do questionário: branco, pardo, preto, amarelo ou indígena. Hoje, o Brasil é formado por 44,2% de brancos, 46,7% de pardos e 8,2% de pretos.

No terceiro trimestre de 2017, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostrou que havia 13 milhões de brasileiros desocupados e destes, 63,7%, ou 8,3 milhões, eram pretos ou pardos. A taxa de desocupação dessa parcela da população ficou 14,6% superior à apresentada entre os trabalhadores brancos (9,9%).

E os dados negativos não param. Quando se fala em homicídios, principalmente de jovens, são os pretos e pardos que lideram as estatísticas novamente. Como dizer que este país não é racista, que neste país os pretos e pardos não têm menos oportunidades que os brancos?

Nesta quarta-feira, o IBGE divulgou mais uma pesquisa daquelas que nem deveriam existir, como todas acima.

Mostrou que 1,8 milhão de crianças de 5 a 17 anos trabalhavam no Brasil no ano passado. Mais da metade destas (54,4% ou 998 mil), pelo menos, estavam em situação de trabalho infantil, ou porque tinham de 5 a 13 anos (190 mil pessoas), ou porque, apesar de terem de 14 a 17 anos, não possuíam o registro em carteira (808 mil) exigido pela legislação. E as crianças pretas ou pardas eram maioria entre as ocupadas, representando 64,1%.

Mudando a visão, tivemos pesquisas que mostraram os riscos em Mato Grosso. O trânsito caótico nas rodovias e mesmo nas cidades, o excesso de peso entre os mato-grossenses que não realizam atividades físicas e, com isso, têm elevadas chances de desenvolver doenças, principalmente do coração.

Mas ainda bem que o coração anda batendo bem por um outro lado. Afinal, enquanto no país as pessoas se casaram menos e se divorciaram mais, em Mato Grosso ocorreu o inverso. Houve mais casamentos e menos separação. Tomara que estas uniões representem o fortalecimento das famílias e o começo de outras mudanças.

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