Solidariedade a qualquer hora | Gazeta Digital

Domingo, 03 de dezembro de 2017, 00h00

Editorial

Solidariedade a qualquer hora

Da Editoria


Na última semana um morador de rua, de 53 anos, morreu em uma via movimentada de Brasília depois de pedir socorro por mais de duas horas a pessoas que passavam pelo local. Janes Brito, como era seu nome, ficou sentado na rua se queixando de dores no peito. O local onde ele estava, que triste ironia, fica a menos de cinco minutos de um hospital da rede pública de saúde que é referência para a região. A Polícia Militar informou que o socorro foi chamado somente quando as pessoas perceberam que o homem estava imóvel. Quando a ajuda chegou, já era tarde, Brito já havia morrido.

Atualmente não há, no Distrito Federal, nenhum serviço de assistência social para pessoas em situação de vulnerabilidade por conta da suspensão, pela Justiça, de uma licitação para a contratação de empresa encarregada de prestar o serviço. Em uma época em que houve atendimento, eram feitas, em média, 2.700 abordagens por mês. As pessoas eram encaminhadas voluntariamente para abrigos ou outros serviços de proteção. Hoje estão como Janes Brito, entregues à própria sorte.

Segundo as definições gerais da língua portuguesa, empatia é a capacidade psicológica para sentir o que outra pessoa sentiria caso estivesse na mesma situação, ou seja, compreender sentimentos e emoções do próximo, se colocar no lugar do outro. A empatia é um dos sentimentos que impulsionam as pessoas a se ajudarem e está intimamente ligada ao altruísmo e à solidariedade, que também é um sentimento de identificação em relação aos sentimentos e ao sofrimento alheio.

Nesta época do ano, a empatia e a solidariedade ganham destaque em campanhas e outras iniciativas beneficentes e assistencialistas, impulsionadas por todo um simbolismo milenar trazido pelo Natal. É o caso, por exemplo, da campanha nacional Natal Sem Fome, criada pelo sociólogo Betinho e retomada agora após um intervalo de dez anos. Ou o Natal da Solidariedade, projeto encampado pelo Grupo Gazeta de Comunicação que arrecada brinquedos, roupas e alimentos para famílias carentes da Grande Cuiabá.

Movida por esse sentimento de altruísmo, muita gente se mobiliza em uma grande rede de ajuda ao próximo, o que contribui enormemente para colocar comida na mesa de muitas famílias e levar um pouco de alegria às crianças, por exemplo, que recebem roupas e brinquedos. É uma ajuda sempre bem vinda, tanto para quem recebe como para quem estende a mão já que está cientificamente comprovado que fazer o bem faz bem para a saúde física e mental.

Mas quem tem fome e passa necessidades - quem não tem nada - tem pressa. E a solidariedade não deve ter data e nem hora marcada para acontecer. A morte do morador de rua no Distrito Federal chama a atenção para uma sociedade cada vez mais imersa em si e menos atenta ao próximo. Além da situação de desamparo do homem, tampouco os seus pedidos de socorro foram suficientes para chamar a atenção.

Tão presente nesta época, o sentimento sazonal de solidariedade e empatia costuma reduzir drasticamente passado dezembro, o que é preocupante já que a carência perdura. Que as pessoas sejam solidárias, se engajem em campanhas natalinas, doem atenção, tempo, comida e outros bens. Se doem ao próximo e criem o hábito de ser solidárias a qualquer hora.

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