Suicidas sobre duas rodas | Gazeta Digital

Quinta, 11 de janeiro de 2018, 00h00

Suicidas sobre duas rodas

Wilson Carlos Fuah


Todos os dias se assistem a acidentes provocados por motoqueiros irresponsáveis e suicidas sobre duas rodas, que, às vezes, além de provocarem prejuízos a si próprios, provocam transtornos no trânsito com o deslocamento das ambulâncias do Samu, além de tomar lugar de pacientes no pronto socorro, elevando, assim, as despesas da Saúde Pública Municipal ao utilizar os serviços de médicos especialistas nos procedimentos de reconstituição de ossos quebrados e que em situações mais graves ficam paralíticos sem poder trabalhar pelo resto da vida, gerando despesas ao Sistema de Previdência e Assistência Nacional.

Pior ainda é quando esses suicidas sobre duas rodas provocam acidentes e prejuízos a outras pessoas que nada têm a ver com as suas loucuras no trânsito. São acidentes e mais acidentes provocados por pura imperícia desses condutores irresponsáveis e malabaristas do trânsito.

Numa manhã de setembro, quando a paisagem desta cidade nos mostrava a transformação da natureza, com a florada dos ipês, o cheiro de terra molhada se misturava à beleza das cores das frutas como as mangas, os cajás, os cajus, nos elevando às alturas ao sentir o renascer em tudo e em todas as partes da cidade, com o cantar dos pássaros ou na contemplação dos sorrisos das pessoas, nesse espetáculo da vida, assisti a mais uma peça de violência praticada por um motoqueiro irresponsável.

Ali na avenida da Prainha, numa manhã de sábado, antes das sete horas, a cidade estava a acordar e o trânsito ainda estava calmo, vi uma senhora de aproximadamente 70 anos, que foi comprar o pão para o seu café da manhã. Ela tinha que travessar a avenida, olhou e viu que o sinal estava aberto para ela, mas, ao dar alguns passos em direção ao outro lado da avenida, veio um motoqueiro irresponsável em alta velocidade, transitando pelo corredor entre os carros parados, bateu violentamente na idosa. A pancada foi tão violenta, que os óculos e a prótese da acidentada voaram para o outro lado do canteiro central, várias pessoas correram para socorrer a idosa em dores, caída no asfalto. Ela abriu os olhos claros e cheia de compaixão disse às pessoas, que, por favor, socorressem primeiro o motoqueiro, pois ela estava viva. Mas o motoqueiro irresponsável e malvado desapareceu em alta velocidade, como se a vida não tivesse nenhum valor, nem a dele e nem a dos outros. Várias pessoas do bem apareceram de todos os lados, se prontificando a ajudar a pedestre, imediatamente chegaram os anjos da vida na ambulância do Samu, levando a senhorinha. Eu, na minha revolta, fiquei o dia todo com aquela imagem de indignação contra o motoqueiro e ao mesmo tempo com o consolo de entender o sentimento de compaixão dessa senhora do bem, que preferiu ficar com a sua dor em troca da prioridade do salvamento ao motoqueiro do mal, pois quem tem bondade no coração está sempre rodeado de pessoas que o amam e da proteção da divindade. Mas, o que dói é saber que pelas ruas desta cidade existem vários motoqueiros irresponsáveis, malvados, que ainda vão provocar muitos acidentes, até que as autoridades apliquem sanções pesadas sobre esses suicidas sobre duas rodas que estão em todas as ruas a transitar em alta velocidade entre os carros pelos corredores da morte, danificando carros, quebrando retrovisores, vitimando os transeuntes e na maioria das vezes ameaçando as pessoas com palavras e gestos obscenos, como se fossem os donos do trânsito. Ao adotarmos o procedimento de "pensar só em nós mesmos" estamos praticando o maior vício do ser humano. No trânsito está cheio de pessoas que pensam somente em si e têm como lema: "primeiro eu, e se sobrar tempo, os outros" ou "faço isso ou aquilo por outras pessoas, desde que eu não tenha que sair da minha rotina". A violência no trânsito se explica pelo egoísmo do individualismo desobedecendo às ações coletivas.

Cada ser humano que tem bondade e amor no coração adota e dirige racionalmente obedecendo às regras do trânsito e por anos e anos jamais provocará acidentes por atos irresponsáveis. Mas, o que fazer para que os motoqueiros tenham o mesmo sentimento de compaixão da senhora acidentada?

O que fazer?

Só resta uma saída, instalar a faixa cidadã para os motoqueiros e, mesmo assim, ainda pode correr risco de haver acidentes entre eles.

Wilson Carlos Fuáh é economista, especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. E-mail: wilsonfuah@gmail.com

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