Noruega e nórdicos | Gazeta Digital

Terça, 16 de janeiro de 2018, 00h00

Noruega e nórdicos

Helio Monti


Os países escandinavos são referência mundial em qualidade de vida porque são mestres em combinar liberdade de mercado com proteção do Estado à sociedade. O jeito de ser nórdico deve muito a um pensador extraordinário, o sueco Gunnar Myrdal (1898-1987). Nobel de Economia em 1974, Myrdal nos anos 40 teve uma influência comparável à de John Maynard Keynes na defesa de um capitalismo no qual o mercado não fosse visto como um deus que corrigiria todos os problemas automaticamente e, portanto, estava acima do bem e do mal. O NY Times observou, num editorial, que num momento em que o capitalismo em crise parecia confirmar a profecia de Marx de um mundo comunista, Myrdal, como Keynes, ofereceu uma saída dentro do próprio modelo capitalista. Myrdal defendeu que o Estado desse aos cidadãos educação e saúde de alta qualidade. Esse é o modelo adotado nos países nórdicos.

Teve destaque na imprensa internacional o exemplo de um lixeiro de Copenhague, na Dinamarca. Ao ser entrevistado, afirmou que, nas horas vagas, era técnico do time de handebol da escola pública que incluíam suas filhas adolescentes. Numa escala de 0 a 10, ele definiu como 8 o seu grau de satisfação com sua qualidade de vida. Abordando a questão sobre o que significa ser mãe na Noruega é possível citar a licença maternidade de 11 meses com salário completo e volta garantida ao trabalho, ou 13 meses com 80% do salário. Fora isso, um subsídio do governo é oferecido à mãe que queira ficar mais tempo em casa com as crianças. A licença-paternidade remunerada é de 10 semanas. Um sinal do foco nas crianças é o desfile no Dia Nacional da Noruega, 17 de maio. Em quase todos os países, você vê paradas militares. Na Noruega, quem sai às ruas são as crianças. Os serviços de saneamento ambiental atendem a todas as residências; a taxa de mortalidade infantil é uma das menores: 3 óbitos a cada mil nascidos vivos; todos os habitantes acima de 15 anos são alfabetizados. Lá, é socialmente inaceitável não pagar os impostos justos.

A sociedade estabeleceu um consenso segundo o qual os impostos são o preço a pagar para você viver num ambiente quase utópico. Escola gratuita, saúde gratuita, nada de contrastes chocantes entre riqueza extrema (de poucos) e pobreza miserável (muitos). E mais novidades vêm por aí naquela próspera região. Países como a Suíça e a Noruega estão dando um grande passo ao reduzir a jornada oficial de trabalho das pessoas para 6 horas diárias. Ter mais foco, menos reuniões e ir para casa mais cedo pode fazer milagres dentro das empresas, além de aumentar a qualidade do que é feito. Pode ser que a Finlândia seja o primeiro país do mundo a criar o sistema de renda básica. O governo está investindo em estudar a ideia a partir de 2017, oferecendo até 1.000 euros mensais a 100 mil finlandeses que não terão que trabalhar. Com medidas simples, a Dinamarca está reduzindo o desperdício de comida drasticamente.

Em apenas cinco anos, o índice chegou a 25% de redução. Movimentos ensinam a população que dá para poupar tempo, dinheiro e ao mesmo tempo ajudar o meio ambiente através da diminuição do desperdício. Por que estes países viabilizam tantos recursos para investir no social? Um dos motivos é porque gastam pouco com o custeio da máquina pública e a corrupção é um fato raro na história da Escandinávia. Por exemplo, enquanto um parlamentar custa, no Brasil, cerca de 7 milhões de dólares anuais, na Escandinávia o custo médio de um parlamentar gira em torno de 500 mil dólares por ano. Os impostos são altos, mas as verbas públicas são destinadas com muito critério às questões prioritárias e chegam integralmente ao seu destino com um índice de corrupção praticamente nulo. Estas e outras tantas questões bem resolvidas colocam séculos de defasagem entre a situação deles e a nossa. Dia virá em que um lixeiro brasileiro estará feliz com sua qualidade de vida. Será?

Helio Monti é superintendente da Eletronorte-Gerência de Obras de MT e Mestre em Economia pela UNB

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