Desemprego e inadimplência | Gazeta Digital

Quarta, 17 de janeiro de 2018, 00h00

Editorial

Desemprego e inadimplência

Da Editoria


A geração de quase 300 mil novos postos de trabalho com carteira assinada no Brasil nos 11 primeiros meses do ano passado - que reverteu o saldo negativo de aproximadamente 850 mil vagas no mesmo período de 2016 - não foi suficiente para reduzir o número de brasileiros inadimplentes de um ano para outro. Levantamento divulgado pela Serasa Experian nesta terça-feira (16) aponta que 2017 terminou com 60,4 milhões de inadimplentes no país, aumento de 1,34% sobre o contingente registrado ao fim do ano anterior, de 59,6 milhões.

E a inadimplência tem relação direta com o emprego, com o fato de a pessoa receber um salário mensal. Com a certeza de receber uma renda todo mês, a pessoa tem como consumir, seja à vista ou a prazo. Sem renda, ocorre o contrário, ela não consome e as compras feitas anteriormente passam a ficar em 2º plano na prioridade das famílias, gerando o calote.

Ao estratificar os números do mercado de trabalho brasileiro, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, apontam que de janeiro a novembro de 2017 foram admitidos 13.675.667 trabalhadores e demitidos 13.376.032, gerando um saldo positivo de 299,635 mil vagas formais. No ano anterior, na mesma base de comparação, as contratações somaram 13.835.934 e as demissões totalizaram 14.694.267, que geraram um saldo negativo de 858,333 mil empregos, o que comprometeu o orçamento de milhares de famílias em várias cidades brasileiras e, consequentemente, o fluxo do caixa das empresas que têm dinheiro a receber.

Voltando aos índices de inadimplência do consumidor, os dados da Serasa Experian apontam que em dezembro o montante alcançado pelas dívidas foi de R$ 265,8 bilhões, com a média de quatro débitos por CPF, totalizando R$ 4,402 mil por pessoa. A maior parte das dívidas foi contraída no setor bancário e de cartões de crédito, representando 29% do total. Já as contas de consumo como água, energia e gás aparecem em 2º lugar, com 19,5% dos débitos em atraso; seguidas pelo varejo, com 12,6%; pela telefonia, com 11,6% das dívidas; pelo setor de serviços com 11,3%; e finalmente aparecem as financeiras e leasing, com 8,3% das pendências.

Segundo a pesquisa, a faixa etária que concentra o maior número de pessoas com nome restrito às compras a prazo é de 41 a 50 anos, que abrange 19,6% do total de brasileiros. A 2ª maior participação é de jovens de 18 a 25 anos (14,5% do total). Por sexo, os homens representavam 50,9% dos inadimplentes em dezembro passado.

Por região, os estados do Centro-Oeste são os de situação menos ruim, com menor percentual de pessoas inadimplentes, com 8,2%. O maior índice está no Sudeste (44,9%), e na sequência aparecem o Nordeste (25,4%), Sul (12,7%) e Norte (8,9%).

Os números da inadimplência no Brasil no fechamento de 2017 não são tão ruins. O total de 60,4 milhões de brasileiros nesta condição ao fim do ano indicou uma retração de 1,15% em relação a novembro, quando o contingente de inadimplentes era de 61,1 milhões. Outra notícia positiva, decorrente desta queda, é que, pela 1ª vez desde julho de 2017, houve retração no número de inadimplentes na variação mensal.

Talvez este movimento sinalize o início da tão sonhada retomada da economia brasileira. Ainda com 12 milhões de desempregados, o país precisa entrar nos trilhos novamente e sair do caminho que levou à crise econômica e à falência de famílias e empresas. A expectativa é que as medidas tomadas, aos poucos, pelo governo, resultem, concretamente, em números que conduzam ao desenvolvimento nacional e permitam aos brasileiros sair da lista de inadimplentes.

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