Jornal cheio de tragédias | Gazeta Digital

Quinta, 18 de janeiro de 2018, 01h30

Editorial

Jornal cheio de tragédias

Da Editoria


Mortes, estupros, roubos, latrocínio. Hoje o leitor recebe um jornal cheio de tragédias. Não que nos outros dias seja diferente, mas hoje está "especial". O começo do ano parece destoar das estatísticas que apontam redução da violência, tanto em Mato Grosso como em outros estados e no Distrito Federal.

No Rio de Janeiro, disque-denúncia é lançado para que a população ajude na identificação de assassinos de policiais militares. A situação ficou ainda mais tensa por lá após um delegado sair de sua base para almoçar e não voltar mais. Foi encontrado morto, no porta-malas de um veículo.

Aqui em Mato Grosso, bandidos tentaram incendiar uma viatura da Força Tática, em frente à base da PM, em Sinop. É a afronta às autoridades da segurança pública, que já vem ocorrendo há algum tempo.

Quem não se recorda do "Salve" em Cuiabá e algumas cidades do interior, em junho de 2016, quando os "soldados" da organização criminosa Comando Vermelho de Mato Grosso colocaram fogo em ônibus e atacaram bases policiais. Ameaçavam, ainda, vários agentes prisionais, que estavam em greve, de morte.

O tempo passou e o que se vê é o CVMT pintado em muros de vários bairros, como uma marca registrada, como a digital da facção criminosa, mostrando que está ali, que aquele terreno é dela. Quem tenta entrar, morre.

Depois de um ano das grandes rebeliões pelo país, nada mudou. Vimos pela televisão e lemos pelos sites as trágicas notícias do sistema prisional de Goiás (GO). Fugas, mortes.

E todos os estados estão sujeitos a uma explosão parecida. Os investimentos anunciados para o sistema, durante as rebeliões, não se tornaram realidade.

Em Mato Grosso, a Penitenciária Central do Estado (PCE), por exemplo, tem mais que o dobro de sua capacidade de presos. Com número reduzido de agentes prisionais, lá dentro ocorrem vários crimes, como tráfico de drogas, extorsão e homicídios. Mais do que isso, é praticamente um "escritório do crime", de onde sai a maioria das ordens de grandes roubos e até execuções.

É difícil pensar em redução da violência enquanto o sistema prisional continuar assim. Vejam um exemplo ocorrido em Nova Mutum. Um adolescente participou de um assalto à residência de uma família, que foi torturada. Segundo informações, uma criança pequena teria sido afogada no vaso sanitário. O adolescente foi apreendido, mas fugiu da delegacia quebrando a parede com um martelo. No dia seguinte, morreu numa troca de tiros com a Polícia.

Os adolescentes infratores, por sinal, estão entre os que são mais beneficiados com esta falta de estrutura. Sem vagas, ficam internados só aqueles que cometem os crimes considerados mais graves, como homicídios, latrocínios e estupros.

A promessa de novas vagas para presos é antiga e também foi feita por este governo. Mas já é preciso trabalhar em vários pontos, porque apenas criar vagas sem qualquer política pública visando à recuperação de um condenado na Justiça, só vai ampliar os gastos dos governos e o encarceramento.

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