O legado de 2014 | Gazeta Digital

Sexta, 19 de janeiro de 2018, 00h00

Editorial

O legado de 2014

Da Editoria


O que faz a população de Cuiabá e Várzea Grande lembrar da histórica Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil? Com exceção de uma réplica da bola "Cafusa", instalada em tamanho gigante em uma rotatória da avenida Miguel Sutil, nenhuma intervenção urbana indica que uma das sedes do Mundial foi aqui. Não há nada visível capaz de nos fazer lembrar daqueles calorosos (em todos os sentidos) dias de junho de 2014, quando visitantes de países de todos os continentes aproveitaram todo o clima de festa e congraçamento com os habitantes locais. Houve, por sinal, uma verdadeira invasão de chilenos na Capital. Foram milhares, que chegaram por avião, carro, trailers, se espalhando por todos os cantos da cidade. Colombianos também. Lotaram a Arena Pantanal no jogo contra o Japão, entoando o cântico "somos locales otra vez" - uma forma de dizer que estavam praticamente jogando em casa.

Quem conseguiu participar ativamente daqueles dias imortalizou os momentos em fotos e vídeos, certamente ainda guardados até hoje. Assim que a festa acabou, sobrou a ressaca. E a realidade caiu em nossos ombros com um peso inimaginável para quem, pouco tempo antes, se encantava com as belezas do maior evento que Cuiabá já sediou - e provavelmente continuará sendo por muito tempo. O lixo se acumulou por semanas na Arena Pantanal, pois não se sabia de quem era a responsabilidade por isso. E o majestoso e moderno estádio, que em tese poderia alçar o futebol de Mato Grosso a outro patamar, encheu-se de torcedores um punhado de vezes ao longo desses quatro anos, somente quando grandes clubes brasileiros aceitavam jogar aqui. Com alto custo de manutenção, nem chegou a ser concluída por completo, mas os problemas estruturais apareceram aos montes. Hoje serve até como sala de aula, o que é uma boa ideia em vista da quase absoluta falta de utilidade para uma praça esportiva de padrão internacional. Mas, respondendo à pergunta feita na primeira linha deste texto, nada nos faz lembrar tanto a Copa do Mundo quanto o "legado" do VLT. As cicatrizes da sensacional construção de um sistema de transporte de primeiro mundo estão por toda a parte, como um monumento ao fracasso.

Especialmente para quem desembarca no aeroporto Marechal Rondon, o choque é direto. Já se avista o concreto no meio da avenida, estruturas enferrujadas, mato crescendo entre os trilhos. E um caminho que parece levar nada a lugar algum. Ao longo da avenida Rubens de Mendonça, os canteiros destinados aos trilhos contêm apenas o vazio, assim como a sensação geral do cuiabano e várzea-grandense ao observar o inacabado. E 2018 inicia com uma complexa questão a ser resolvida. O desafio que se coloca agora é escolher a alternativa menos pior. Mais de R$ 1 bilhão em dinheiro público já foi derramado no VLT. Deve-se lutar pela conclusão da faraônica obra, gastar-se mais uma fortuna para tanto, ou retroceder? Apagar os sinais da frustração e recomeçar do zero, com outros projetos para o transporte da região metropolitana? O que demora mais? O que gastaria menos? E o mais importante: o que faria a população esquecer desse trauma?

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