Democracia em xeque | Gazeta Digital

Sábado, 20 de janeiro de 2018, 00h00

Editorial

Democracia em xeque

Da Editoria


A democracia está sob ameaça e declínio em todo o mundo e enfrenta a crise mais séria em décadas. Seus princípios básicos, incluindo as garantias de eleições livres e justas, direitos das minorias, liberdade de imprensa e o estado de direito, estão sob cerco.

A constatação vem do relatório "Liberdade no Mundo 2018" ("Freedom in the World 2018", em inglês), lançado anualmente pela organização independente Freedom House.

O estudo conclui que 2017 foi o décimo segundo ano consecutivo em que houve queda na liberdade mundial. E aponta que a crise se intensificou na medida em que os padrões democráticos da América foram corrompidos, ressaltando a saída dos Estados Unidos como um fator relevante.

O governo de Trump quebrou o consenso político dos últimos 70 anos, deixando de lado a democracia, que era a força motriz da política externa dos EUA. A retirada acelerada dos Estados Unidos do seu papel histórico como principal defensor da democracia no mundo tornou os regimes autoritários mais poderosos.

O documento aponta que nos últimos sete anos vinha sendo observada uma lenta deterioração dos direitos políticos e liberdades civis nos Estados Unidos. No entanto, em 2017, o declínio acelerou devido à crescente evidência de interferência russa nas eleições de 2016; às violações de padrões éticos básicos por parte da nova administração; e uma redução da transparência do governo.

O relatório mapeia os países em três níveis: livres (45%), parcialmente livres (30%) e não livres (25%). Há subdivisões em quesitos como direitos políticos e liberdades civis. E os países (e algumas regiões) são classificados de 1 a 7, sendo 1 mais livres e 7 menos livres.

Na América Latina, o quadro não é dos melhores, especialmente por causa da situação da Venezuela, classificada como não livre e ocupando a 164º posição no ranking que analisou 208 países e territórios. A determinação do presidente Nicolás Maduro em permanecer no poder levou o país a uma crise humanitária sem precedente, que levou milhares de pessoas a buscar refúgio em países vizinhos.

O Brasil foi classificado como um país livre, com nota 2 em ambos os quesitos (direitos políticos e liberdades civis) e é o 73º país no ranking dos mais livres. No entanto, o relatório fez referência negativa às extensas investigações de corrupção envolvendo líderes políticos.

Já o Paraguai, Colômbia, Equador e Bolívia foram classificados como parcialmente livres.

Em todo o mundo, 71 países sofreram diminuição dos direitos políticos e das liberdades civis em 2017. Países que já foram promissores, como a Turquia, a Venezuela, a Polônia e a Tunísia, estão entre os que sofreram um declínio nos padrões democráticos. Desde o início do declínio, em 2006, 113 países pioraram e apenas 62 países experimentaram melhoria.

Entre os 49 países classificados como não livres, há 12 que obtiveram menos de 10 pontos em uma escala de 100, nos quesitos direitos políticos e liberdades civis. Entre eles estão a Síria, Sudão do Sul, Eritreia, Coreia do Norte, Turcomenistão, Guiné Equatorial, Arábia Saudita, Somália, Uzbequistão, Sudão, República Centro-Africana e Líbia.

Na outra ponta, os mais bem colocados no ranking são Finlândia, Noruega, Suécia, Canadá e Austrália, países que lideram positivamente nos mais diversos levantamentos mundiais.

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