As andanças do lixo ocidental | Gazeta Digital

Sábado, 20 de janeiro de 2018, 00h00

As andanças do lixo ocidental

Jairo Pitolé Sant"Ana


Há cerca de dois meses, um adolescente, filho de um amigo, me pediu para evitar consumir determinado produto asiático usado na culinária, porque em seu beneficiamento é utilizada mão de obra infantil.

Fiquei com a pulga atrás da orelha, pra usar uma expressão de antanho, pois a coisa ficou me martelando a cabeça, embora a probabilidade de que a sua (dele) afirmativa tenha fundamento é quase certa.

Na verdade, é apenas parte da meada. A globalização tem permitido aos países desenvolvidos se despoluírem à custa dos (países) em desenvolvimento, especialmente os asiáticos, onde vive mais da metade da população mundial e grande parte dos despossuídos.

Não fazem mais o trabalho sujo. A produção poluente, especialmente reciclagem, foi repassada. A China, embora potência mundial, mas escassa em certas matérias-primas, era o destino de boa parte dos resíduos reaproveitáveis descartados pelos países da União Europeia e dos Estados Unidos.

Em 2016, 56% do lixo transportado em escala mundial (entre diferentes tipos de plásticos, papel e tecidos) foi parar lá, entre os quais parte das 37 milhões de toneladas norte-americanas exportadas.

Outro destino é Bangladesh, que recebe navios e plásticos de todo o mundo, onde é processado e reutilizado em diferentes empresas.

Como nada é de graça nesta vida, a contrapartida é paga ambiental e socialmente.

A contaminação da bacia fluvial por poluentes industriais e a transformação de praias em lamaçais, prejudicando a pesca, são outras consequências.

A China, porém, deixou de ser o destino preferencial do lixo ocidental, depois de ter sido o principal comprador de plásticos, papel e tecido de países desenvolvidos. Desde 1º de janeiro, está proibida a importação de 24 tipos de resíduos. A proibição não é total. Resíduos corretamente triados, dizem, continuarão a ser comprados.

Portanto, produtos chineses encontrados a preços de banana, dos quais tanto reclamam a indústria nacional, terão continuidade? Será que a proibição chinesa forçará a mudança de visão dos países exportadores (de lixo)?

Pelos tantãs soados mundo afora, a resposta está mais pra um não. Tem mais, o Brasil, pela falta de uma política pública de coleta seletiva e com uma legislação trabalhista flexível, é candidato a destinatário de todo este lixo à procura de reciclagem.

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá e sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mail coxipoassessoria@gmail.com

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